#23 Chegamos ao YouTube!

Se tem uma coisa que eu aprendi ao longo da minha jornada de auto-conhecimento, é a importância de saber respeitar o meu ritmo. Cada um tem o seu tempo. O que para uns pode acontecer de maneira muito rápida, para mim pode demorar um pouquinho. E tá tudo bem! Que graça teria o mundo se fôssemos todos iguais, não é mesmo?

Digo isso para contar pra vocês que, depois de uns bons meses cultivando a ideia de criar um canal no YouTube, finalmente tomei coragem e gravei o meu primeiro vídeo! Não foi fácil tomar esse passo – na verdade, foi bem difícil -, mas eu gosto de pensar nele como a continuação natural do caminho que iniciei com a criação deste blog. Eu poderia ter feito tudo junto desde o início, textos e vídeos? Sim, é claro que eu poderia. Se eu fizesse assim, porém, eu não estaria respeitando a mim mesma e ao meu ritmo.

E é por este motivo que, ao contrário do blog, no qual eu já me sinto segura para estabelecer objetivos de postagens e me cobrar pelos resultados, no canal eu tentarei ser mais leve comigo mesma. Um passinho de cada vez, sem me cobrar tanto – mas também sem relaxar. Tudo no meu tempo e no meu ritmo. Devagar e, se tudo der certo, sempre! 🙂

Anúncios

#22 Desafio ‘2018, o ano do sem’: fevereiro sem compras

Prontos para o próximo desafio do ano do sem? Como eu contei no nosso último post – no qual compartilhei as minhas impressões sobre o janeiro sem redes sociais -, decidi que em fevereiro seria a vez de encarar outro hábito que me incomoda bastante e que eu pretendo mudar em 2018: as compras.

Pra falar a verdade, toda essa ideia de viver um ano do sem começou quando eu cogitei a possibilidade de enfrentar um ano sem compras, assim como a Cait Flanders e outras pessoas pelo mundo já fizeram e compartilharam as suas experiências na internet. Conversando sobre essa vontade, porém, cheguei à conclusão de que eu não precisava ser tão radical comigo mesma, pois eu já havia conseguido modificar consideravelmente os meus hábitos de consumo. Dado o meu histórico na área, eu já havia atingido um patamar saudável neste quesito. Mas a gente sempre pode melhorar, né?

Só para contextualizar e contar a vocês um pouquinho sobre como cheguei até aqui, eu nunca fui do tipo de pessoa que chegava a fazer dívidas além das suas possibilidades para comprar algo; em compensação, eu era a rainha do cartão de crédito e do parcelamento em dez vezes. Se eu batia o olho e gostava, não pensava duas vezes e já saía comprando. Foi assim que, em sete anos ganhando o meu próprio dinheiro, eu acumulei roupas, sapatos e tranqueiras em quantidade suficiente para duas – ou até mais – pessoas.

priscilla-du-preez-228220
Photo by Priscilla Du Preez on Unsplash

Era tralha demais pra uma vida só e, embora eu sempre tenha tido o hábito de doar o que não me servia ou o que eu simplesmente não gostava mais, o meu armário estava sempre cheio, pois eu continuava comprando. Como dizia a minha mãe, parecia que as minhas roupas davam cria. Quanto mais eu descartava, mais eu comprava – e, assim, mais eu acumulava.

Foi só depois de entrar em contato com o conceito de minimalismo como estilo de vida que eu comecei a olhar para esse hábito com outros olhos, e isso permitiu que eu mudasse sensivelmente a minha relação com o consumo. Quando eu me dei conta do quanto eu tinha – que era muito mais do que o suficiente pra mim -, eu percebi que eu não precisava de mais, e que comprar estava me afastando de coisas que eu realmente queria e que poderiam me fazer muito mais feliz do que uma nova peça de roupa.

Mas isso foi apenas o início da caminhada. O processo de aderir a um novo estilo de vida é um ir e vir constante, ou seja: sim, eu ainda tenho as minhas recaídas. Embora hoje elas sejam comprinhas inofensivas se comparadas às que eu costumava fazer em outras épocas, elas ainda assim me incomodam, pois eu tenho consciência de que o caminho rumo à vida simples que eu desejo não passa por ali.

Desde que eu tive a ideia de que fevereiro seria o mês sem compras, inclusive, tive um pequeno surto consumista e adquiri algumas coisinhas que eu poderia ter esperado um pouco mais para comprar. Mas tudo bem, vai. O desafio ainda não havia começado, e foram apenas itens que já constavam na minha lista de desejos. De qualquer forma, isso me mostrou que eu ainda tenho um tanto a evoluir, o que justifica perfeitamente a escolha deste tema para o segundo desafio do ano do sem.

E como todo desafio que se preze tem de ter as suas regras, a minha vai ser a seguinte: durante o mês de fevereiro (na verdade, até o dia 5 de março), não posso comprar nada, exceto alimentos, produtos de limpeza, produtos de higiene e medicamentos  (estes três últimos, somente no caso de acabarem antes do fim da experiência).

Um mês passa rápido, então estou bastante confiante de que vou conseguir cumprir o desafio. Mais alguém disposto a se juntar a mim nesta experiência? 🙂

#21 O que aprendi ficando um mês sem redes sociais | Desafio ‘2018, o ano do sem’

Foi-se janeiro e, com ele, a primeira etapa do nosso desafio ‘2018, o ano do sem’: um mês sem redes sociais. Se você não sabe do que eu estou falando, sugiro a leitura deste post, no qual eu explico os motivos que me levaram a encarar a empreitada de eleger, a cada trinta dias, um hábito que eu desejo viver sem, de modo a me tornar cada vez mais próxima da vida simples e intencional que pretendo cultivar ao longo deste ano.

Como contei neste outro post, uma das coisas que mais me incomodava e que eu considerava realmente prejudicial para o meu dia a dia era o uso que eu fazia das redes sociais. Justamente por isso, decidi começar a minha série de desafios mensais tentando eliminar, de uma vez por todas, este vício que tanto consumia o meu tempo.

Assim, entre os dias 05 de janeiro e 05 de fevereiro, enfrentei a minha primeira experiência deste ano do sem. Proibida de acessar o Facebook e o Instagram de acordo com as regras que eu mesma havia estabelecido no início do desafio, pude observar o tamanho do espaço que estas redes ocupavam na minha vida – o qual, como vocês devem imaginar, era muito maior do que o necessário.

Foram 30 dias de oportunidades: de olhar para mim mesma, de observar os meus hábitos, de refletir a respeito disso tudo e, principalmente, de me questionar. Será que as coisas em que eu gastava o meu tempo me aproximavam ou me distanciavam dos meus objetivos? Será que eu estava realmente vivendo ou simplesmente sobrevivendo enquanto rolava os feeds das minhas redes sociais?

rachael-crowe-62006
Photo by Rachael Crowe on Unsplash

Algumas das respostas – nem todas conclusivas, admito – agora eu compartilho com vocês:

1 – Eu estava realmente tratando de um vício. Embora desde o início do desafio eu tenha me descrito como uma pessoa viciada, eu só consegui entender o que isso significava de verdade quando me vi acessando os aplicativos do Facebook e do Instagram sem nem mesmo pensar no que eu estava fazendo. E não foi uma nem duas vezes: foram várias, principalmente durante a primeira semana. Era um comportamento automático: pega o celular na mão, destrava a tela, clica no ícone da rede social e…opa, peraí, eu não devia estar aqui! Para tentar driblar o hábito, adotei a tática de “esconder” os aplicativos em outra tela do smartphone, o que só deixou a coisa mais evidente: perdi as contas de quantas vezes abri sem querer querendo o app que agora ocupava o lugar onde antes ficavam as redes. Assustador.

2 – Eu tinha muito mais tempo livre do que eu pensava. Sabe aquele papo de que o seu dia precisa ter muito mais horas para você dar conta de todas as suas responsabilidades? Pois então, eu também pensava isso. O que eu não notava antes do desafio, e que conforme ele avançava se tornou cada vez mais claro, era que eu tinha tempo suficiente para cumprir com todas as minhas tarefas diárias – e, pasmem, ainda sobrava. Não tendo as redes sociais como uma possibilidade, aqueles minutinhos – ou horas – que eu passava alimentando o meu tédio com o feed de notícias voltaram a ficar disponíveis. Foi como se eu instantaneamente ganhasse algumas horas extras no meu dia.

3 – Eu havia desaprendido a usar a internet. Vejam bem, eu sou cria da década de 1990, logo, nasci em um mundo sem internet – ou, ao menos, em um mundo sem a internet como nós a conhecemos hoje. Isso quer dizer que eu aprendi a usar essa ferramenta aos poucos, conforme ela crescia e se tornava cada vez mais popular. Eu sou do tempo em que pesquisas eram feitas no Cadê? e comunicação era papo pro chat do Terra. Toda essa introdução pra dizer que há muito mais na internet do que Facebook e Instagram – eu só havia me esquecido disso. Quando me vi proibida de acessar essas duas redes, porém, fui praticamente obrigada a explorar o que existia fora delas. E isso me abriu os olhos para a quantidade de coisas bacanas que nós temos à nossa disposição – blogs, sites, vídeos, etc – e simplesmente não usamos por estar trancados na teia dos feeds infinitos do sr. Zuckerberg.

4 – Eu não sentiria tanta falta quanto imaginava. Aqui, pode ser que o fato de já ter tentado a mesma experiência outras vezes tenha me ajudado. Mas a verdade é que, passado aquele período inicial em que eu me via perdida, sem saber o que fazer com o meu novo tempo livre, o desafio se mostrou muito mais fácil do que eu pensei que seria. Depois que eu aprendi a preencher o meu tempo com outras atividades – estas sim, mais adequadas com o meu propósito de vida -, deixei de sentir falta das redes sociais. Aquela ânsia de saber o que estava acontecendo e de conferir todas as notificações simplesmente se foi.

5 – Eu me iludia com uma falsa sensação de proximidade. Essa é uma reflexão que nem eu sei classificar como boa ou ruim. É apenas uma constatação. Acessando as redes sociais, eu estava sempre por dentro de todas as postagens e stories dos meus amigos – o que eu fazia eu me sentir muito próxima de todos, afinal, eu sabia por onde eles andavam, o que estavam fazendo, etc e tal. A partir do momento em que eu deixei de ter acesso a esse canal de novidades da vida alheia, porém, comecei a me sentir mais distante das pessoas. Como eu disse, não sei dizer se isso é bom ou ruim; só sei dizer que foi assim que eu me senti – e que, aqueles com quem eu queria realmente manter contato, eu simplesmente procurei no whatsapp ou no messenger e mantive uma conversa.

Em resumo, depois de um mês de desafio, cheguei à conclusão de que o problema não eram as redes sociais em si, mas sim a forma como eu as utilizava. Durante estes 30 dias, tive tempo mais do que suficiente para perceber que a relação que eu vinha estabelecendo com o Facebook e o Instagram não era nada saudável – só que, ao contrário do que eu costumava pensar, as vilãs da história não eram elas, e sim eu mesma.

É difícil admitir, mas eu era o principal problema. Eu não sabia mais ficar sozinha com os meus próprios pensamentos – a cada brecha que se abria no meu dia, eu seguia sempre o mesmo roteiro e me jogava no feed de notícias sem nem pensar duas vezes. E como essas ferramentas são desenhadas para que nós fiquemos o máximo de tempo possível vidrados na telinha, era por lá mesmo que eu ficava.

De toda essa experiência, fica o aprendizado de que o controle está nas minhas mãos. Sou eu quem decido como e quando vou utilizar as redes sociais, e qual o papel que elas devem desempenhar na minha vida. Eu jamais teria chegado a essa conclusão, que parece muito óbvia, se não tivesse reunido a coragem de enfrentar este desafio.

No próximo post, daremos início ao segundo desafio do nosso 2018, ano do sem: fevereiro sem compras.

#20 Você não precisa disso

Estava eu na minha busca por conteúdo significativo na internet quando encontrei este vídeo da Jout Jout, no qual ela fala sobre a dificuldade que nós temos em trabalhar com autonomia, só nós mesmos e mais ninguém. Basicamente, a ideia que ela transmite é a de que desde cedo, ainda na escola, somos treinados para obedecer ordens e executar tarefas de acordo com o que os outros nos impõem, e que colocar em prática projetos nossos, estritamente pessoais, subverte toda essa lógica na medida em que não tem ninguém ali dando comandos ou nos dizendo o que fazer a seguir.

E o que resulta de todos esses anos de condicionamento para obedecer e seguir regras é que, quando não temos alguém nos cobrando por resultados, nós simplesmente relaxamos – ou, como ela diz no vídeo, “afrouxamos”. É difícil e até um pouco doloroso admitir, mas nos tornamos pessoas mais comprometidas com as ideias dos outros do que com as nossas próprias ideias. Isso porque, quando um projeto é nosso, nós somos 100% responsáveis por colocá-lo no mundo – e, se a gente não fizer nada, ninguém vai nos cobrar por isso. Ele simplesmente não vai existir. E só.

rawpixel-com-252127
Photo by rawpixel.com on Unsplash

Essa reflexão toda me colocou a pensar sobre muitas coisas que já tive vontade de fazer e não fiz. E se eu, que sou uma pessoa só, posso listar uma quantidade considerável de projetos meus que nunca saíram do papel, imaginem vocês quantas coisas bacanas não saem do plano das ideias devido a esse nosso modus operandi que só funciona quando tem alguém bafejando a nossa nuca cobrando resultados?

Eu sei que uso este exemplo com frequência, mas é o que temos pra hoje: vejam o caso do blog. Eu sou jornalista por formação, trabalho com a escrita no meu dia a dia e sempre tive vontade de produzir os meus conteúdos mas, mesmo assim, nunca tomava uma atitude pra fazer isso acontecer. Enquanto havia pautas, prazos e um colega me cobrando pela produção de algum texto, eu produzia. Mas quando era a vez de sentar em frente ao computador e encarar a tela em branco por mim mesma, simplesmente não rolava.

É claro que eu não estou dizendo que a falta de cobrança é o único motivo que nos impede de tocarmos os nossos projetos, pois com certeza existe um batalhão de outros porquês que também ficam por aí atravancando o nosso caminho. Mas eu realmente acredito que grande parte dessa frouxidão com as nossas coisas resida no fato de que não fomos ensinados a agir com autonomia e independência.

A gente precisa se libertar dessa necessidade de ter alguém nos cobrando pra que as coisas sejam feitas. Isso não nos falta – nós não precisamos disso. O que nós precisamos, isso sim, é de mais comprometimento com os nossos objetivos e as nossas vontades. E só.

E como eu acredito que dar-se conta de um problema é o primeiro passo para começar a resolvê-lo, ouvir essa reflexão me deu ainda mais motivos para estabelecer compromissos comigo mesma em relação a este blog e a outros projetinhos que em breve vocês vão ficar sabendo. Adoro essas injeções de ânimo!

E vocês, o que acham disso? Concordam com essas ideias ou tem outro ponto de vista?

(não deixem de assistir ao vídeo, é realmente muito bom!)

#19 Pausa também é movimento

Como eu contei no nosso último post, traçar uma comparação entre os meus objetivos para o futuro e as ações que pratico diariamente foi um exercício revelador. Somente assim eu pude perceber o quanto eu estava desperdiçando o meu tempo, sonhando sem tomar atitudes para tornar meus desejos realidade. Ter consciência disso foi o primeiro passo para a mudança.

Eu nunca teria criado este blog e nem estaria aqui publicando o meu décimo nono (uau!) post se eu não tivesse me dado conta de que eu era uma pessoa que desejava trabalhar escrevendo, mas que nunca escrevia. De que maneira eu conseguia justificar isso pra mim mesma, eu simplesmente não sei explicar. O fato é que eu perdi horas, dias e meses que eu poderia ter investido nos meus objetivos fazendo…nada. Ou melhor: tudo, menos o necessário para que eles acontecessem.

veri-ivanova-17904
Photo by Veri Ivanova on Unsplash

E não, eu não estou aqui pra dar uma de guru de produtividade para ensinar a vocês como aproveitar ao máximo as suas 24 horas. Eu não gosto desse tipo de discurso e não acho que seja esse o caminho. Valorizo muito a importância dos momentos de reflexão – para mim, eles são essenciais. Justamente por isso, o meu objetivo aqui é abrir os olhos de cada um que lê os meus textos de que o relógio está andando e que, talvez, o seu tempo possa ser aproveitado de uma maneira melhor. E isso pode significar até mesmo fazer uma pausa.

Você não precisa sair correndo loucamente atrás dos seus objetivos. A sua trajetória pode ser feita caminhando. No fim, o destino é o mesmo – e, mais cedo ou mais tarde, você vai chegar lá igual. Como eu li em algum lugar esses dias, pausa também é movimento.

Depois de muito correr pela vida, foi somente me dando um tempo que eu percebi o quão maravilhosos – e reveladores – são esses períodos de reflexão. E que, por mais contraditório que isso possa soar, às vezes os nossos maiores progressos acontecem quanto temos a coragem de parar.

#18 O que você fez hoje?

Hoje o post vai ser um pouquinho diferente. Quero propor uma atividade para vocês. Conheci ela pela primeira vez através do blog dos the minimalists, e desde então tem sido impossível pensar sobre as minhas ações diárias sob outra perspectiva que não esta. Espero que gostem! 

O que você faz todos os dias? O que você fez hoje? Você investe o seu tempo nos seus objetivos? Ou você simplesmente o gasta sem pensar a respeito?

Se você nunca parou para pensar sobre isso, chegou a hora de refletir. Para evitar distrações, faça tudo à moda antiga: você não vai precisar de nada além de papel, caneta e alguns minutinhos.

Prontos? Então, vamos começar.

Escreva, em um dos lados desta folha, o título Um dia…. Abaixo, liste todas as coisas significativas que você deseja realizar em algum momento na vida:

Alimentar-se melhor?

Praticar exercícios físicos?

Economizar dinheiro?

Mudar de trabalho?

Não tenha medo de escrever. Encare de frente os seus desejos! Coloque todos eles no papel antes de passar para a próxima etapa.

glenn-carstens-peters-190592
Photo by Glenn Carstens-Peters on Unsplash

Feito? Então, vamos ao segundo passo. No verso deste papel, coloque o título Hoje. Agora, escreva todas as ações que ocuparam as suas últimas 24 horas:

Tomou café da manhã com pressa?

Respondeu a e-mails?

Passou horas nas redes sociais?

Assistiu televisão até a hora de dormir?

Aqui pode ser mais difícil do que na etapa anterior, mas é importante ser sincero. Refaça mentalmente o percurso do seu dia e liste todas as atividades realizadas. Não deixe nada de fora.

Feito isso, a conclusão é simples. Compare as listas e responda a você mesmo: as minhas ações diárias estão me deixando mais próximo dos meus objetivos? Estou dando passos em direção aos meus desejos ou estou simplesmente caminhando a esmo?

Para mim, refletir desta forma foi revelador. Só depois de colocar no papel eu pude perceber o quanto dos meus dias estavam sendo desperdiçados em atividades que não só não me levavam a lugar algum como me afastavam de onde eu desejo chegar.

É claro que algumas das atividades que nós fazemos todos os dias são indispensáveis, pois somos seres humanos e precisamos atender a algumas necessidades básicas. Mas eu aposto que, ainda assim, da mesma forma que eu fazia – e ainda faço, pois esta é uma reflexão constante -, muito do seu tempo está sendo desperdiçado em coisas desnecessárias, que não levam você a lugar algum.

Nessa de colocar os nossos planos na caixinha do um dia… e não pensar mais a respeito, é bem fácil distrair-se e simplesmente não fazer nada para que eles aconteçam. Como dizem os minimalists Joshua e Ryan, “para muitos de nós, um dia é uma das palavras mais perigosas que pronunciamos: ela nos concede a ilusão de possibilidades futuras sem ter de se concentrar no que é importante hoje”.

Por isso, a minha sugestão pra você hoje é: não espere mais. Não se iluda pensando que tudo aquilo que você deseja vai acontecer magicamente no futuro sem que você se esforce no presente. Permita-se refletir a respeito e faça esse teste. O seu um dia… vai chegar – mas você precisa se dedicar para que isso aconteça.

#17 Mude o seu olhar

Foi um dia desses. Estava eu conversando sobre as mudanças que vivi nos últimos tempos – de me sentir no fundo do poço a ter uma paz que eu nunca havia sentido -, quando me peguei falando o seguinte: “naquela época, a minha vida era exatamente igual a que eu tenho hoje; a única diferença era que eu não via as coisas da mesma forma”. No instante em que as palavras chegaram ao meu ouvido, foi como se eu pudesse sair do meu corpo e assistir à conversa como mera observadora, e não participante. Nem eu me reconheci.

Embora a ideia não seja nenhuma novidade, a verdade é que é fácil viver como se nós não soubéssemos disso. A vida é o que nós fazemos dela. Salvo raras exceções, as situações que se apresentam a nós não são inerentemente boas ou más; o que as faz serem assim é a forma como escolhemos lidar com elas. E, mesmo nos casos em que não há escolha e temos de abraçar a tristeza, sempre há um aprendizado a colher. Por mais difícil e sofrido que seja, vai haver algo de bom ali. Sempre.

dmitry-ratushny-64773
Photo by Dmitry Ratushny on Unsplash

Isso me faz lembrar de um TED que assisti com o Henrique, intitulado good and bad are incomplete stories we tell ourselves (algo como “bom e ruim são histórias incompletas que contamos a nós mesmos”). Nele, a escritora Heather Lanier conta sobre como a percepção dela a respeito destes conceitos mudou depois da chegada da sua filha, que nasceu com uma rara condição genética que resulta em atrasos no desenvolvimento de habilidades como andar ou falar. Ela questiona quais são os nossos critérios para definir o que torna uma vida boa ou ruim, desconstruindo a ideia de que as situações são isso ou aquilo antes  de chegarem a nós.

Ora, se uma mãe é capaz de colher este aprendizado mesmo depois de todo o choque de ver a sua filha nascer com tantas “dificuldades”, quem somos nós para vestir a carapuça de vítimas do mundo? Quem nós pensamos que somos? Quem eu pensava que eu era? 

Durante todo este meu período de transformação – o qual ainda não terminou e provavelmente nunca terminará, diga-se de passagem -, as coisas que costumavam me incomodar e fazer eu me sentir tão mal não mudaram. O que mudou – quem mudou – foi eu. Eu mudei. Eu passei a enfrentar as situações com um novo olhar, menos pessimista e mais voltado a reconhecer o lado bom de cada acontecimento. E isso magicamente mudou tudo. Inclusive – e principalmente – o modo como eu me sinto.