#72 PÓ Viaja | Atacama | Geysers el Tatio, o deserto abaixo de zero

Preparem seus corações, hoje é dia de mais #PÓviaja no Atacama! 🙂

Depois de dividir com vocês os detalhes sobre os tours ao Valle de la Luna, à Laguna Cejar e às Lagunas Altiplânicas, hoje é a vez de falar sobre outro passeio clássico do deserto: os Geysers el Tatio!

Lembrando sempre que nós fizemos todos esses passeios – exceto o Tour Astronômico, que contratamos com a Space – com a Araya Atacama. O que vocês encontram aqui, portanto, é o relato da experiência que nós tivemos com esta empresa em maio de 2018.

Chegando no Parece Óbvio agora? Leia aqui sobre como decidimos ir para o Chile, aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama, aqui sobre como escolhemos a agência e aqui as impressões gerais de cada um dos tours.

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Vista geral dos geysers antes do nascer do sol

O tour aos Geysers el Tatio é um passeio de meio período que começa beeem cedo: saímos do hostel antes do sol nascer, mais ou menos às 5h30 da manhã, e lá pelas 13h estávamos de volta.

O motivo para termos de praticamente cair da cama é que este horário é considerado o melhor momento do dia para observar o fenômeno dos geysers, que tem o seu pico de atividade entre as 5h e as 7h da manhã.

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Nós quase não conseguíamos nos mexer de tanta roupa! kkk

Localizado a aproximadamente 100 km de distância de San Pedro de Atacama, o campo geotérmico onde ficam os Geysers el Tatio é o terceiro maior do mundo, estendendo-se por uma área que alcança 3km².

Para quem faltou as aulas de geografia – ou pra quem já saiu da escola há bastante tempo, assim como eu kkk -, geysers são nascentes termais, isto é, jatos de água fervente que se originam a partir do “choque” de águas subterrâneas frias com rochas e lava vulcânica quente.

O contato entre esses componentes provoca o aumento da temperatura e da pressão da água, que é “obrigada” a chegar à superfície em forma de jatos super violentos, que podem atingir até 80 metros de altura.

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Geyser visto de perto: a água borbulhava de tão quente!

E mesmo sendo um passeio que tem como atração principal uma manifestação da natureza marcada por altas temperaturas, um dos motivos que faz o tour aos Geysers el Tatio ser tão famoso é o frio.

Embora os termômetros variem, é bom estar preparado: dificilmente você vai enfrentar algo melhor do que 10 graus negativos – na verdade, as chances são de que você encontre temperaturas menores ainda.

Na manhã em que nós fomos, por exemplo, a temperatura quando chegamos ao campo geotérmico era de 16 graus negativos. Como nós já sabíamos que o frio seria grande, fomos super agasalhados – no final do post eu conto tudo o que vesti! -, então a experiência foi tranquila.

De qualquer forma, é bom ficar esperto e não subestimar o termômetro!

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Ao lado dos jatos de água fervente, GELO!

Além do frio, outro ponto que merece atenção no tour aos Geysers el Tatio é a altitude: chegamos a 4.300 metros acima do nível do mar, o que pode ser um problema caso você ainda não esteja aclimatado.

Como este foi o nosso terceiro passeio no Atacama – e nós já havíamos passado por uma experiência levemente desagradável com a altitude nas Lagunas Altiplânicas, lembram -, foi super tranquilo para nós.

Conforme o nosso guia explicou, nosso corpo já devia estar acostumado com o ar da montanha, então nós não sentimos nada de “diferente” no dia dos geysers. Ainda bem!

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Atenção para o tamanho da pessoa e dos carros ao lado dos geysers!

Depois de mais ou menos uma hora de estrada observando as estrelas, chegamos no campo geotérmico onde ficam os Geysers el Tatio por volta das 7h da manhã. O dia já estava claro, mas o sol ainda não havia nascido.

Nossa primeira parada foi no posto de entrada, onde nosso guia foi entregar o valor dos tickets e nós pudemos descer da van para dar uma esticadinha nas pernas e ir até o banheiro – mais informações sobre a estrutura e valores no final do post!

Dali, fizemos um curto trajeto de carro até o início da “trilha” em meio aos geysers propriamente ditos, onde pudemos observá-los de pertinho enquanto íamos ouvindo as explicações.

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Eu adorei essa foto! kkk

Conforme o sol ia aparecendo e o céu ia ficando cada vez mais azul, nós pudemos aproveitar o local para caminhar e tirar várias fotos – sempre cuidando para não ultrapassar a trilha demarcada pelas pedras vermelhas, essenciais para a segurança dos visitantes.

E por falar em fotos, uma curiosidade que eu, pelo menos, desconhecia: devido às baixas temperaturas, lá a bateria do celular gasta muito mais rápido do que em condições “normais”. Caso você não use câmera e não queira ficar sem registrar esse momento, é bom levar uma bateria externa!

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Ainda estou na dúvida se a paisagem é mais bonita antes ou depois do nascer do sol

Ficamos mais ou menos uns 40 minutos passeando entre os geysers – tempo suficiente para o céu ficar todinho azul e a temperatura dar uma amenizada, sem deixar de ficar negativa.

Dali fomos até o estacionamento, onde um café da manhã delicioso com baguetes da La Franchuteria – falei sobre ela no post anterior, lembram? – e ovos mexidos feitos na hora nos esperavam.

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Nada como um cafézinho da manhã delícia!

Depois de tomar o café, quem quisesse podia entrar na piscina termal dos geysers, onde a água pode chegar a até 30 graus. No espírito do ‘não vim até aqui para viver a experiência pela metade‘, é óbvio que eu fui!

Como eu estava na dúvida se ia ter coragem de entrar na água, não fui vestindo roupa de banho por baixo – deixei para trocar lá mesmo. A piscina tem uma estrutura de vestiários a dois passos de distância, então isso não foi nenhum problema – passei um friozinho básico para colocar o maiô, mas logo estava no quentinho da água.

Até o Henrique, que não se animou a entrar na Laguna Cejar e tinha ido comigo até ali só para tirar fotos, resolveu entrar. De todo o nosso grupo, só nós dois entramos na água – e eu só lamento por quem não foi, porque essa foi uma das coisas mais surreais que nós vivemos no Atacama!

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A piscina termal dos geysers certamente entrou no nosso TOP 5 do deserto

Como se trata de estrutura natural, a temperatura da água não é uniforme em toda a extensão da piscina – as partes mais quentinhas ficam próximas às bordas, que é onde a maior parte das pessoas prefere ficar.

Depois de curtir uns bons 30 minutos de molho, saímos da água super aquecidos e fomos recolocar a roupa no vestiário. Não vou mentir e dizer que não sentimos frio nessa hora, porque nós sentimos sim – principalmente porque eu esqueci de levar um chinelo e tivemos de colocar os pés direto no chão! -, mas não foi nada absurdo.

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Felizes (e quentinhos) nas águas da piscina termal

Depois de conhecer os geysers, tomar café da manhã e aquecer o corpo nas piscinas termais, era hora de tomar o caminho de volta a San Pedro.

Mas o passeio não havia chegado ao fim! Nosso roteiro ainda incluía outras duas paradas: o vale do vulcão Putana e o povoado de Machuca.

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Em uma curva da estrada, o incrível vale do vulcão Putana

No vale do vulcão Putana nossa passagem foi rápida: paramos por alguns minutos para fazer um curta caminhada, tirar umas fotos e olhar de pertinho as águas semi-congeladas do rio, onde patinhos – ou algum outro bicho parecido com isso kkk – nadavam.

Já no povoado Machuca, nossa parada foi um pouquinho mais longa: tivemos mais ou menos 40 minutos para caminhar pelo local, que é super pequeno mas bastante pitoresco.

Conforme nosso guia explicou, poucas famílias vivem atualmente em Machuca, e toda a renda do povoado vem do que eles oferecem aos turistas que passam por lá. Justamente por isso, tudo é cobrado.

Além dos banheiros (CLP 500) e de uma pequena mostra de artesanato local, quem quisesse podia se aventurar a experimentar espetinhos de carne de lhama (que eu não sei o preço pois nem cheguei perto) ou a tirar foto com uma fofíssima lhama bebê (CLP 1000 por três cliques).

Nós só ficamos com a segunda opção, mas nossos colegas de grupo provaram os espetinhos e acharam super saboroso!

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Em Machuca, uma placa no mínimo diferente!

Para encerrar o tour aos Geysers el Tatio com chave de ouro, nosso guia nos levou até um vale que ficava ao lado do povoado Machuca, onde ficamos por alguns minutos tendo uma verdadeira aula sobre a cultura atacameña.

Mais uma prova de que um bom profissional faz toda a diferença na experiência – e de que vale a pena investir em uma agência que ofereça uma equipe qualificada e atenciosa. Neste dia, assim como nas Lagunas Altiplânicas, fomos assessorados pela dupla Miguel (motorista) e Gonzalo (guia), de longe os nosso favoritos de todos que conhecemos durante os nossos dias por lá.

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Hora de dar tchau! 😦

E agora vamos à ficha técnica sobre o tour aos Geysers El Tatio!

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos buscou no hostel entre 5h e 5h30 – madrugada! – e por volta das 13h estávamos de volta.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 45.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar CLP  10.000 cada um na entrada do campo geotérmico onde ficam os geysers.

Como se vestir? Prepare-se para o frio! Eu fui com calça térmica + legging apeluciada + calça de moletom na parte de baixo; blusa térmica + blusa segunda pele apeluciada + blusão de lã de alpaca + casaco fleece + jaqueta de inverno apeluciada na parte de cima; nos pés, um par de meias térmicas e outros dois pares de meias mais grossas e quentinhas; mais gorro, cachecol e luva. Isso foi o suficiente e eu não senti frio.

Na mochila, levei ainda mais uma manta grande, que acabei não precisando usar; e um maiô que troquei na hora de entrar nas piscinas termais (esqueci de levar um chinelo, não cometam o mesmo erro!).

Saindo da água, com o corpo aquecido, não precisei mais de tanta roupa. Fui de calça térmica + calça de moletom na parte de baixo; e blusa térmica + casaco fleece na parte de cima. Já não precisava mais de luva, cachecol e gorro, mas eu não tirei esse último para ficar bonitinha nas fotos (prioridades, né gente?).

Tem banheiro? Sim. Na entrada do campo geotérmico há uma estrutura de banheiros que já está incluída no valor do ticket – note que não há banheiro no local da trilha e da piscina termal, que ficam há alguns minutos de distância (de van) da entrada. Além deste, também há o banheiro do povoado Machuca, onde é cobrado CLP 500 por pessoa.

Quais as dicas que ninguém conta? O tour aos geysers é frio sim, mas não é nada de outro mundo – pelo menos pra nós, que estamos acostumados com o inverno do Rio Grande do Sul, não foi nenhum bicho de sete cabeças. Isso não quer dizer que você deva subestimar os termômetros, é claro. Vá bem agasalhado que não tem erro – e pelamordedeus, não deixe de entrar na piscina termal! Saber que você está ali quentinho enquanto fora d’água as temperaturas estão negativas é surreal.


E aí, o que acharam? Quem mais já foi aos Geysers el Tatio e tem algo a acrescentar? Alguém planejando uma viagem para o Atacama? 

Nos próximos posts da série #PÓviaja, continuarei o relato detalhado de cada um dos passeios que fizemos no deserto. Semana que vem é a vez do Trekking de Guatín e das Termas de Puritama. Não percam! 😉 

#71 Mindfulness: cinco dicas simples para você começar a meditar hoje mesmo

Se você estava à espera de um sinal dos céus para finalmente começar a meditar, aqui está o seu sinal. 😉

Desde o momento em que comecei a levar mais a sério a minha prática de meditação – o que inevitavelmente me levou a perceber todos os benefícios que ela pode gerar -, me tornei uma verdadeira missionária da palavra do mindfulness.

Meditar me faz bem de uma forma que eu nem sabia que era possível. Eu me sinto mais atenta, mais tranquila e muito, mas muito mais leve. É como se a minha vida tivesse se tornado mais fácil – embora eu saiba que nada nela mudou, apenas eu mesma.

Tendo descoberto isso, agora me sinto no dever de convidar todo mundo que conheço a entrar nesse universo do mindfulness junto comigo. Porque coisas boas assim nós não podemos deixar guardadas: precisamos compartilhar! 

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photo by Unsplash

Quem acompanha o Parece Óbvio há mais tempo já sabe, mas a minha relação com o mindfulness começou no início deste ano, quando participei do Programa de Redução de Estresse e Ansiedade promovido pela Sati Consciência Plena.

Na época, até escrevi um post falando sobre por que eu achava que todo mundo deveria dar uma chance à técnica:

Quem nunca teve a impressão de que a sua mente estava em um lugar completamente diferente do seu corpo? Ou reagiu impulsivamente a alguma situação de conflito, sem nem pensar no que estava fazendo?

 

Basicamente, o que o mindfulness faz – e fez por mim durante o curso, e segue fazendo durante as práticas – é buscar  trazer o nosso foco, tanto físico quanto mental, para o agora.  É criar momentos de pausa para observarmos a nós mesmos, o que estamos sentindo e o que estamos pensando.

 

Um exercício incrível de auto-observação e, mais do que isso, de autoconhecimento.

Hoje, passado meio ano desde o início dessa caminhada, me sinto segura para dizer que participar da experiência oferecida pela Sati realmente mudou minha vida.

Em tempos tão cheios de pressa e ansiedade como os nossos, ter a oportunidade de parar e observar o que se passa dentro de nós mesmos pode ser extremamente revelador.

Para dividir com vocês um pouco do que aprendi ao longo desta jornada – a qual, aliás, está recém no início! -, hoje trago cinco dicas simples para quem quer entrar neste universo do mindfulness mas não sabe por onde começar.

Se eu soubesse delas há um tempo atrás, certamente teria começado antes. 🙂

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essa sou eu apenas fazendo pose e fingindo que estou meditando

1) Desista de tentar “esvaziar” a sua mente 

Este é um dos maiores mitos relacionados à meditação, e apegar-se a ele só vai deixá-lo frustrado.

Em vez de tentar eliminar completamente os seus pensamentos – o que é impossível -, entenda que o mindfulness é sobre aprender a observar seus pensamentos e a aceitá-los como eles são, sem julgamentos.

Uma boa estratégia para quem está começando é imaginar que os seus pensamentos são como as cenas exibidas em uma tela de cinema, enquanto você é o espectador sentado na plateia.

 

2) Respeite os limites do seu corpo

Talvez você não consiga reproduzir aquela cena super instagramável do meditador sentado na posição de lótus, com as costas eretas e os ombros relaxados – e tá tudo bem.

Toda pessoa tem as suas particularidades e limites, e isso não deve ser um empecilho para você começar a meditar. O importante é que você encontre uma posição em que consiga ficar, ao mesmo tempo, relaxado e alerta.

Vale sentar no chão ou em uma cadeira, com ou sem apoio para as costas, ou até mesmo deitado – embora, neste caso, você possivelmente vá cair no sono.

Eu, por exemplo, me sinto confortável meditando na cadeira com uma almofada nas costas para ajudar a sustentar a coluna. E isso eu só consegui descobrir conforme fui praticando!

 

3) Valorize cada minuto

Aqui, o problema não é nem a falta de tempo: encaixar a meditação na sua rotina e torná-la um hábito é realmente uma tarefa complicada, principalmente porque essa é uma atividade nova e completamente diferente de tudo o que estamos acostumados.

Justamente por isso, você não precisa dedicar tanto tempo à sua prática de início. Comece com pouco – todo minuto conta! – e, conforme for se acostumando, aí sim aumente o seu tempo.

No meu caso, três minutos por dia eram o limite logo que eu estava começando; hoje, quanto tento meditar por apenas 15 minutos, sinto como o se o meu corpo estivesse pedindo por mais.

 

4) Não espere pelas condições ideais

Outro mito que só vai fazer você adiar o seu primeiro passo no mindfulness: a ideia de que são necessários um momento e um local ideais, completamente silenciosos e livres de interrupções.

Não vou mentir que deve ser mais fácil sim meditar em uma praia deserta ou no meio de um campo florido, mas essa infelizmente não é a realidade diária de ninguém que eu conheço – então, resta trabalhar com o que temos.

Vale o quarto ou a sala de casa, o carro estacionado na garagem ou até mesmo o banheiro da firma – por que não?

A mesma coisa vale para o horário: embora grande parte das pessoas tenha preferência por meditar pela manhã, há quem opte por encaixar as suas práticas em outros momentos do dia.

Depois de testar várias opções, a que mais funcionou para mim foi as 19h, logo que chego em casa do trabalho. Assim como a questão da postura, esse é outro ponto que você só vai descobrir praticando!

 

5) Tenha paciência e seja gentil com você mesmo

Por último mas não menos importante, a dica que é um dos grandes mandamentos para quem medita, seja iniciante ou veterano na prática: adote um olhar paciente e gentil sobre você mesmo.

Ninguém disse que seria fácil – e de fato não é. Pode ser que você caia na tentação de pensar que está fazendo algo errado, ou que está demorando demais a perceber os resultados. É assim mesmo.

Não dê ouvidos a esses pensamentos e siga praticando, com disciplina e persistência.

Se você fizer isso, cedo ou tarde a sua capacidade de auto-observação vai estar mais desenvolvida e você vai começar a notar as mudanças. Pode confiar.


Por fim, uma dica bônus: embora a prática de mindfulness e de meditação em geral seja um exercício de olhar para dentro de você mesmo, contar com a orientação e o acompanhamento de um profissional no assunto é um grande diferencial.

Para quem é de Porto Alegre – e até para quem não é, pois seguido rolam iniciativas online! -, indico de olhos fechados o trabalho da Sati Consciência Plena, da Ane Saraiva. Caso você tenha ficado curioso e queira saber mais sobre mindfulness, não deixe de seguir a página deles no Facebook e o perfil no Instagram.

Quem aí já tem o costume de meditar? E quem está pensando em começar? Vamos trocar uma ideia nos comentários! ❤

 

#70 PÓ Viaja | Atacama | Lagunas Altiplânicas, um lugar para jamais esquecer

Prontos para mais uma dose de #PÓviaja no Atacama? 🙂

Depois de dividir com vocês os detalhes sobre os tours ao Valle de la Luna e à Laguna Cejar, hoje é a vez de falar sobre um dos passeios que nós mais gostamos de fazer por lá: as Lagunas Altiplânicas!

Lembrando sempre que nós fizemos todos esses passeios – exceto o Tour Astronômico, que contratamos com a Space – com a Araya Atacama. O que vocês encontram aqui, portanto, é o relato da experiência que nós tivemos com esta empresa em maio de 2018.

Chegando no Parece Óbvio agora? Leia aqui sobre como decidimos ir para o Chile, aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama, aqui sobre como escolhemos a agência e aqui as impressões gerais de cada um dos tours.

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O azul incomparável da Laguna Miscanti

O tour às Lagunas Altiplânicas é um passeio classificado como de “dia todo”, mas que na verdade começa de manhã cedo e antes das 16h você já está de volta na cidade.

Diferente das experiências no Valle de la Luna e na Laguna Cejar, as Lagunas Altiplânicas requerem certo cuidado em função da variação da altitude – saímos dos “habituais” 2.400 metros de San Pedro e vamos até 4.300 metros acima do nível do mar.

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A cada curva da estrada, um show da natureza

Saímos do hostel por volta das 7h – a agência sempre marca um intervalo de 30 minutos dentro do qual você deve estar pronto esperando pela van – e iniciamos a nossa “viagem” até a Laguna Tuyacto,  primeira parada oficial do dia.

Falo em oficial porque antes mesmo de sair de San Pedro já fizemos um pit stop na La Franchuteria, padaria super fofa onde nosso guia desceu da van para comprar os pães que seriam servidos no café da manhã. Aliás, se você está indo pra lá, #ficadica: baguetes tão deliciosas quanto as francesas!

Como a viagem até a laguna era relativamente longa – são 160km da cidade até lá -, também demos uma paradinha no povoado de Socaire, onde pudemos descer do carro para esticar as pernas e ir ao banheiro, que custava CLP 500 por pessoa (+- R$ 3,50).

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Parece photoshop, mas é só o efeito espelhado da Laguna Tuyacto mesmo

Chegando na Laguna Tuyacto, ficamos livres para apreciar o lugar enquanto nosso guia preparava o café da manhã.  Agora senta que lá vem a história…

Nós fizemos o tour às Lagunas Altiplânicas no nosso terceiro dia no Atacama – chegamos na quarta ao meio dia e ele era na sexta-feira. Esse seria o nosso primeiro contato com uma variação de altitude tão elevada – de 2.400 para 4.300 metros -, e nós estávamos cientes disso.

Neurótica que sou, li muito sobre como driblar o mal de altitude – o chamado soroche – e fiz tudo o que estava ao meu alcance para tentar não sofrer com ele. Tomei pequenos goles de água para me manter hidratada durante todo o trajeto, masquei folha de coca, não fiz movimentos bruscos e tentei ao máximo orientar o Henrique pra que ele fizesse isso também.

Mas o fato é que cada corpo reage de uma forma, e mesmo tendo tomado exatamente as mesmas medidas que eu, ele se sentiu bem mal logo que chegamos à Laguna.

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Henrique sendo atendido pelo nosso motorista Miguel: deu ruim, mas logo ficou tudo bem

Os sintomas foram aqueles que a gente encontra em qualquer link falando sobre mal de altitude: falta de ar, tontura, enjoo e…vômito (desculpe a exposição dos detalhes, amor! kkk).

Neste momento, foi essencial o apoio prestado pelo nosso motorista/socorrista Miguel, que levou o Henrique de volta para dentro da van (ele estava ensopado de suor e tinha muito vento na rua!) e manteve ele tranquilo o tempo todo, explicando que aquilo era normal.

Segundo o Henrique, todo o mal estar desapareceu assim que ele vomitou. Situação devidamente controlada, ainda conseguimos aproveitar a Laguna Tuyacto para tirar algumas fotos!

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Mirante de Águas Calientes: como não se sentir pequeno diante dessa imensidão?

Depois de ficar mais ou menos uma hora na Laguna Tuyacto – onde além de toda a função do mal de altitude também rolou o café da manhã -, subimos na van e iniciamos o trajeto no sentido de volta à San Pedro rumo à segunda parada do dia, o Mirante de Águas Calientes.

Lá é possível avistar, de cima e bem de longe, as famosas Piedras Rojas – lugar conhecido por ser um dos mais bonitos do deserto, e que não é mais possível visitar graças a um espertinho que resolveu fazer kitesurf nas lagoas.

Por ser uma área de descanso e alimentação de diversas espécies flamingos e outras aves, a atividade espantou os animais do seu habitat e a comunidade indígena que administra o local resolveu suspender a visitação – com toda a razão, diga-se de passagem. Triste, né?

Felizmente, essa e outras histórias de gente sem noção são fortemente repreendidas pelos atacameños,  que são um povo extremamente devotado e respeitoso com a natureza.

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Pra ser guia no Atacama, também tem que saber tirar fotos! kkk

Feita essa rápida parada no Mirante de Águas Calientes – não mais do que trinta minutos  -, pegamos novamente a van para ir até as grandes estrelas do dia: as lagunas Miscanti e Miñiques.

E eu sei que vocês já estão cansados de me ouvir falando que todos os lugares foram o meu preferido, mas agora é sério: essas lagunas mexeram com o meu coração.

Situadas na Reserva Nacional Los Flamencos – a 110 km de distância de San Pedro de Atacama e a 28 km do povoado Socaire -, as Lagunas Miscanti e Miñiques são o resultado de uma erupção vulcânica que aconteceu há mais ou menos um milhão de anos e que ocasionou o represamento das águas de degelo da cordilheira, que antes escorriam em um rio.

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Passar uma noite nessa casinha entrou para a minha lista de sonhos

E aqui eu preciso deixar claro que embora nós tenhamos tentado capturar em fotos a beleza do local, a verdade é que nada se compara à experiência de estar lá e ver aquilo com os seus próprios olhos. Sério.

Chegando na reserva, descemos da van em frente à Laguna Miscanti e ficamos livres durante alguns minutos para caminhar pela trilha demarcada. Confesso que foi difícil manejar todas as minhas vontades naquele momento: eu queria registrar o passeio, mas ao mesmo tempo a paisagem pedia que eu estivesse 100% presente e entregue àquela energia que só a natureza pode nos proporcionar.

E embora nós tenhamos tido um tempo considerável para curtir o lugar – acredito que tenham sido mais ou menos uns 30 minutos de caminhada -, eu saí de lá com a sensação de que não havia sido o suficiente. Eu poderia ter ficado o dia inteiro contemplando aquele azul tão único.

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Vicuña ‘de boa na lagoa’, literalmente

Ao final da caminhada – feita bem lentamente tanto para curtir o lugar quanto para não passar mal em função da altitude -, nosso guia Gonzalo esperava para subirmos na van e irmos até o próximo ponto da reserva: a Laguna Miñiques.

Antes de seguir, porém, ele aproveitou que havia uma vicuña às margens da Laguna e nos deu uma verdadeira aula sobre estes animais, que são primos das lhamas e são super acostumados a viver em altitudes mais elevadas.

E aqui eu faço um parênteses sobre o papel essencial do guia durante um passeio. É fato: um bom profissional faz toda a diferença na experiência. Gonzalo não só nos transmitiu muito conhecimento ao longo do dia como também demonstrou, com as suas atitudes, um grande respeito à natureza – sempre nos orientando a não conversar e a ficar abaixados quando próximos dos animais.

Pelo o que observamos nos outros grupos, esse não é um comportamento adotado por todos os guias – e nós achamos muito bacana saber que o nosso estava preocupado com isso.

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Pose pra foto na Laguna Miñiques!

Depois desta aulinha sobre as vicuñas, enfim fomos até a Laguna Miñiques, onde descemos da van somente para tirar fotos e logo subimos no veículo de novo, pois estava ventando bastante.

De lá, nossas próximas duas paradas seriam rápidas, apenas para fotos: primeiro, em meio à estrada para aquela clássica imagem no asfalto com um vulcão ao fundo; depois, na placa que indica a localização do Trópico de Capricórnio.

E aqui #ficadica de novo: não se acanhe e peça para o seu guia – ou motorista – tirar todas as fotos a que você tem direito! Eles estão acostumados e conhecem os melhores ângulos! 😉

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Essa foto se tornou uma das minhas preferidas DA VIDA

A essa altura do dia, por volta das 14h, a altitude já começava a demonstrar sinais no meu corpo: a dor de cabeça e o cansaço estavam de matar. Por sorte, o almoço incluído no pacote do tour era oferecido em um restaurante lá em San Pedro, onde eu já estava aclimatada.

Enquanto ainda estávamos a caminho da cidade, o guia informou qual era o cardápio do dia e nós pudemos escolher entre as opções disponíveis. Eu optei por creme de abóbora, yakisoba  e mousse de banana. Comidinha bem servida e temperada com bastante coentro – eu achei deliciosa!

Depois do almoço, quem quisesse podia ficar pelo restaurante mesmo – que ficava a dois passos da Calle Caracoles – ou subir na van para ser levado até o seu hostel. Nós preferimos a segunda opção, pois o cansaço do dia estava pedindo por um banho e cama.

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Já imaginou passar o dia viajando com essa vista?

E agora vamos à ficha técnica sobre o tour às Lagunas Altiplânicas!

Quanto tempo dura? Este é um passeio que teoricamente dura o dia inteiro. Na prática, a van nos buscou no hostel às 7h30 e às 15h30 estávamos de volta – sendo que desde as 14h30 já estávamos em San Pedro almoçando.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 70.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar CLP  10.000 cada um na entrada da Reserva Nacional los Flamencos, onde ficam as Lagunas Miscanti e Miñiques.

Como se vestir? Pense em “camadas”: prepare-se para o frio de manhã, mas não se esqueça que a temperatura aumenta ao longo do dia. Eu fui de calça térmica + calça de moletom na parte de baixo e blusa térmica + blusão de lã de alpaca + jaqueta pena de ganso na parte de cima. Nos pés, duas meias – uma térmica e uma mais grossa e quentinha. Também coloquei cachecol e gorro, dispensáveis enquanto nós estávamos dentro da van, mas importantes quando nós saíamos do carro. Passei o dia todo com a mesma roupa, só tirando e colocando a jaqueta conforme descia da van.

Tem banheiro? No trajeto de ida até a Laguna Tuyacto, havia um banheiro no povoado Socaire, onde foi cobrado CLP 500 por pessoa. Na Reserva Nacional los Flamencos, em frente à Laguna Miscanti, também havia um banheiro (que já estava incluído no valor da entrada). Nos outros lugares, caso a vontade seja muito forte – o que pode acontecer, já que você precisa tomar água para se manter hidratado -, o jeito é apelar para o bom e velho banheiro inca atrás das pedras. Meninas não podem se esquecer de levar papel higiênico e sacolinha para o lixo!

Quais as dicas que ninguém conta? Não subestime os efeitos que a altitude pode causar no seu corpo. Caso este seja o seu primeiro passeio mais alto – nele, a altitude média é de 4.300 metros -, aproveite o trajeto até a Laguna Tuyacto para tomar pequenos goles de água e ir se hidratando. Chegando lá, desça da van com calma e não faça nenhum esforço. Sentir um pouco de falta de ar é normal, mas não deixe de avisar a equipe da agência caso você esteja se sentindo esquisito. O pessoal é super acostumado a ajudar.


E aí, o que acharam? Quem mais já foi às Lagunas Altiplânicas e tem algo a acrescentar? Alguém planejando a sua viagem para o Atacama? 

Nos próximos posts da série #PÓviaja, continuarei o relato detalhado de cada um dos passeios que fizemos no deserto. Semana que vem é a vez dos Gêiseres El Tatio. Não percam! 😉 

#69 TEDx Laçador, uma experiência para (re)pensar a vida

De todas as plataformas e conteúdos que existem neste vasto universo chamado internet, se eu tivesse de escolher apenas um modelo para passar o resto da vida assistindo, eu certamente escolheria os talks do TED.

TED, para quem não sabe, é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo promover ideias que merecem ser espalhadasideas worth spreading – através de palestras curtas e extremamente impactantes.

Realizada pela primeira vez em 1984 nos Estados Unidos, a iniciativa deu tão certo que passou a ser replicada no mundo todo por organizadores independentes, gente que acredita no poder das boas histórias e que encara a missão de promover eventos locais nos mesmos moldes do TED, os chamados TEDx.

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E aí que em junho deste ano eu pude finalmente sair do Youtube e presenciar ao vivo essa magia do compartilhamento de ideias no TEDx Laçador. E se eu já era apaixonada pela iniciativa quando a conhecia somente através do computador, depois desse dia a minha paixão só aumentou!

Realizado desde 2010 pela publicitária Ana Goelzer – sempre com a ajuda de um time de voluntários -, o TEDx Laçador deste ano teve como tema a palavra repense, um verbo curto mas cheio de significado.

Afinal, é impossível ouvir tantas histórias como as compartilhadas em um TEDx e não se sentir tocado de alguma maneira. É impossível não se sentir convidado a repensar.

Saí do evento com a cabeça a mil, cheia de ideias e extremamente grata por ter tido a oportunidade de estar lá. Por isso, se você souber de algum TEDx rolando na sua cidade ou próximo a ela, a minha dica é só uma: . Estando lá, você vai entender o porquê.

E já que o objetivo do evento era espalhar boas ideias, escolhi alguns dos meus talks favoritos do dia para compartilhar aqui com vocês. 🙂


Por que temos tanto orgulho das nossas certezas? Por que temos medo de dizer ‘eu não sei’? Fabiane Kuhn demonstrou com a sua história o quanto nós podemos aprender quando nos permitimos não saber de alguma coisa:

 

O que é ser normal, se todos somos diferentes? A verdade é que a Liane Collares não falou: ela deu um show. Através da sua trajetória, demonstrou o quanto o ‘acidente genético’ que provoca a síndrome de down não precisa ditar – nem limitar – o destino de ninguém.

 

O que é ‘humanizar’ a saúde? Júlia Rocha, médica de família, se apresentou como especialista em gente – e demonstrou com a sua fala que colocar o enfoque do atendimento em saúde na pessoa, e não na doença, pode fazer toda a diferença.

 

Como ficar quentinho, no conforto do meu lar, sabendo que existem pessoas na rua passando fome? Júlio Ritta, fundador do Cozinheiros do Bem Food Fighters, contou sobre como um vídeo despretensioso o levou a criar uma das maiores iniciativas de combate à fome do país. Uma verdadeira aula sobre espírito de coletividade.

 

Toda essa busca por mais – mais status, mais coisas, mais dinheiro – faz sentido? Será que isso vale realmente a pena? Daniel Levy falou sobre como o mundo corporativo tem passado de um modelo conquistador para uma mentalidade evolutiva, na qual a busca por significado cumpre um importante papel.

Talvez pela semelhança com os assuntos que tratamos aqui, este foi um dos talks que mais mexeu comigo.

 

O silêncio é a porta de entrada para quem nós somos emocionalmente. Para não cair na contradição de falar demais sobre uma palestra que tem como tema o silêncio, eu paro por aqui. Apenas assistam e façam o exercício proposto pelo Francisco Kaiut.


Não foi nem um pouco fácil fazer essa seleção – afinal, eu gostei de todas as falas -, então fica aqui o convite para que vocês também assistam à playlist com todos os vídeos desta edição do TEDx Laçador.

Gostaram da dica? Mais alguém tem o costume de assistir aos vídeos de TEDs e TEDx? Tem algum para me indicar? 🙂

#68 PÓ Viaja | Atacama | Laguna Cejar, uma experiência inesquecível (e gelada!)

E a série #PÓviaja continua! 🙂

Depois de dividir com vocês os detalhes sobre o passeio ao Valle de la Luna, hoje é a vez de falar sobre outro clássico do deserto: o tour à Laguna Cejar!

Lembrando sempre que nós fizemos todos os passeios – exceto o Tour Astronômico, que contratamos com a Space – com a Araya Atacama. O que vocês encontram aqui, portanto, é o relato da experiência que nós tivemos com esta empresa em maio de 2018.

Chegando no Parece Óbvio agora? Leia aqui sobre como decidimos ir para o Chile, aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama, aqui sobre como escolhemos a agência e aqui as impressões gerais de cada um dos tours.

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Localizado a aproximadamente 20km de distância de San Pedro de Atacama, o tour à Laguna Cejar na verdade inclui outras duas paradas além daquela que lhe dá o nome: nele, também conhecemos os Ojos del Salar e a Laguna Tebinquinche.

Assim como no Valle de la Luna, este é um passeio de meio período em que não há mudança de altitude em relação à cidade – o máximo a que você chega são 2.400 metros acima do nível do mar -, o que o torna ideal para os seus primeiros dias no deserto.

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Este foi o nosso primeiro tour no Atacama. Saímos do hostel por volta das 14h30 – a agência sempre marcava um intervalo de 30 minutos dentro do qual devíamos estar prontos esperando pela van -, passamos nos hotéis dos nossos colegas de passeio e partimos rumo à primeira parada da tarde: a famosa Laguna Cejar!

Com suas águas altamente salgadas, a Laguna é o grande lance deste passeio, uma vez que você pode entrar nela e experimentar a sensação única de não conseguir afundar – o que acontece graças à sua concentração de sal, que chega a ser sete vezes maior que a do mar.

Eu obviamente não ia perder a chance de viver esta experiência, então já fui vestindo um maiô por baixo das roupas para não perder tempo!

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Chegando no parque onde fica a Laguna Cejar, nosso guia aproveitou que o lugar ainda estava relativamente vazio e nos levou até a Laguna Piedra, onde as fotos ficariam melhores e teríamos uma experiência mais tranquila, já que não havia ninguém dentro da água.

A apenas alguns passos de distância da sua vizinha mais conhecida, a Laguna Piedra é super profunda – entre 19 e 20 metros, segundo o guia – e também permite que você viva a experiência única de boiar na água sem fazer o mínimo esforço.

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Depois de tirar muitas fotos aproveitando o efeito de espelho proporcionado pela Laguna, eu e mais dois corajosos do grupo resolvemos entrar na água – não sem antes aprender como fazer isso com o nosso guia, que nos orientou a utilizar um ‘degrau’ natural, entrar sempre de costas e em hipótese alguma molhar o rosto.

A água, como eu esperava, era gelada. Muito gelada. Tão gelada que eu levei quase um minuto entre o momento que molhei os pés até ter coragem de mergulhar o resto do corpo – e a minha cara nas fotos é melhor do que qualquer palavra para expressar a sensação que eu tive naquele momento (kkk).

A boa notícia é que, passados alguns instantes, o corpo se acostuma à temperatura da água e aquela sensação de que você vai morrer congelado é substituída pela euforia de perceber que você está vivendo a experiência incrível de não conseguir afundar o corpo, por mais esforço que tente fazer.

Por isso, a minha dica aqui é: não deixe de aproveitar essa oportunidade. Prepare-se psicologicamente para o frio e encare! Você nunca mais vai se esquecer deste momento. 🙂

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Devidamente registrada a experiência em fotos e vídeos, saímos da água e fomos até as duchas oferecidas pelo local, extremamente necessárias para tirar o sal do corpo – se você não faz isso, ligeirinho ele começa a coçar e a ficar todo branco!

Como poucas pessoas do grupo quiseram entrar na água, nossa passagem nas Lagunas não se estendeu muito  – ficamos lá por volta de 1h ou 1h30, no máximo -, e logo tomamos a van para o próximo destino: os Ojos del Salar!

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Os Ojos del Salar são duas lagoas de água doce localizadas no meio do deserto e que, vistas de cima, possuem um formato que lembra o de dois olhos – daí o seu nome.

Assim como na Laguna Piedra e em diversas outras lagunas do Atacama, o efeito de espelho d’água proporcionado pelo lugar rende fotos incríveis – e foi justamente isso o que nós fizemos nos poucos minutos em que ficamos por lá.

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De lá, subimos novamente na van e partimos para o nosso último destino do dia: a estonteante Laguna Tebinquinche!

E eu sei que soa um pouco repetitivo ficar dizendo que todos os lugares foram os meus preferidos, mas sério, esta Laguna certamente ficou entre os top 3 da nossa viagem ao deserto.

Formada por água de degelo das montanhas e rodeada por uma imensidão de sal, a Laguna Tebinquinche ofereceu o cenário para um dos pores-do-sol mais espetaculares da nossa vida. Sem exageros.

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Chegando no local, nosso guia deixou o grupo em um ponto chamado El Origen, onde são encontrados os fósseis vivos mais antigos do planeta – microorganismos que conseguem viver em condições ambientais extremas e que, acredita-se, deram origem à grande parte das formas de vida na Terra.

Ali ficamos livres para caminhar pela trilha demarcada – sempre os nossos momentos favoritos! – e apreciar a paisagem enquanto o guia nos esperava preparando um coquetel no ponto final do trajeto. Nada mal para o nosso primeiro dia no Atacama.

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Relato feito, vamos às informações práticas sobre o tour à Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche:

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos pegou no hostel mais ou menos às 14h30 e estávamos de volta às 19h.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 30.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  17.000 cada um.

Como se vestir? Para não perder tempo na hora de entrar na água, vá com roupas de banho por baixo e, por cima, vista roupas leves. Eu fui de maiô, calça legging, camiseta de manga curta e camisa jeans de manga comprida; na mochila, levei minha jaqueta de pena de ganso para a hora do anoitecer, um chinelo para a saída da água e uma calcinha. Não levei toalha pois a agência oferecia.

Tem banheiro? Sim. Tanto na entrada da Laguna Cejar quanto na entrada da Laguna Tebinquinche, há estrutura de banheiros – nesta última, no entanto, não havia luz (mas nada que a lanterna do seu celular não resolva!).

Quais as dicas que ninguém conta? Aqui eu acho que todo mundo conta e eu até já falei sobre no texto, mas não posso deixar de comentar: a água é gelada sim, mas não é nada insuportável. O choque maior é no início; depois de entrar, você até se acostuma. Não deixe de viver essa experiência por medo do frio!



E aí, o que acharam? Quem mais aí já foi à Laguna Cejar e tem algo a acrescentar? 
Alguém planejando a sua viagem para o Atacama? 

Nos próximos posts, continuarei o relato detalhado de cada um dos passeios que fizemos no deserto. Semana que vem é a vez das Lagunas Altiplânicas. Não percam! 😉 

 

 

 

 

#67 Desafio ‘2018, o ano do sem’: agosto sem carne!

O ano do sem ainda vive, minha gente! 😀

Se você está chegando no Parece Óbvio só agora e não sabe do que eu estou falando, ‘ano do sem‘ é o nome do desafio que eu criei e resolvi enfrentar ao longo de 2018. A ideia é que a cada mês eu escolha um hábito, vício ou coisa para viver sem, de modo a me tornar cada vez mais próxima de uma vida simples e focada no que é realmente importante para mim.

Até agora, já passei pela experiência de viver um mês sem redes sociais, sem compras, sem plástico, sem alimentos ultraprocessados e sem repetir looks. Todas renderam muitos aprendizados – e eu super recomendo que vocês se deem a chance de tentar fazer o mesmo!

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Photo by Unsplash

E embora não fosse a minha intenção inicial – afinal, a ideia era enfrentar um desafio novo a cada mês -, em julho eu decidi aceitar o fato de que era hora de dar um tempo, tirar uma ‘folga’ para refletir sobre tudo o que eu havia vivido – e aprendido – nos seis primeiros meses do ano.

Me permitir viver este intervalo sem culpas foi essencial para colocar a cabeça no lugar e processar todas as informações que eu acumulei ao longo do último semestre. Porque saber desacelerar e diminuir o ritmo sem se cobrar também faz parte do processo – e às vezes, é justamente isso o que nos permite tomar fôlego e então continuar.

E o curioso é que mesmo sem estar engajada em nenhum desafio específico do ‘ano do sem‘, julho também foi um mês de muito aprendizado. Talvez por não estar tão focada em um novo tema, pude notar o quanto as iniciativas anteriores provocaram mudanças no meu dia a dia. E, coincidência ou não, este também foi o primeiro mês do ano em que eu consegui manter as minhas práticas de meditação diárias sem falhas.

Ou seja: mesmo sem o compromisso de viver sem alguma coisa, consegui encontrar na pausa uma maneira de seguir buscando a minha melhor versão.

E agora que julho ficou para trás, é hora de retomar o ‘ano do sem‘!

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Photo by Unsplash

Bem, e como o próprio título do post de hoje dá o spoiler, agosto será a vez de viver um mês sem carne!

Esse era um tema que eu já queria incluir no desafio há algum tempo, mas que acabava sempre deixando de lado por acreditar que existiam mudanças mais urgentes a implementar na minha vida – e também por um pouco de medo da dificuldade, confesso.

Depois de fazer uma enquete no Instagram do PÓ – se você ainda não nos segue por lá, faça o favor! – e encontrar entre as sugestões recebidas o bendito do mês sem carne (valeu, Ana!), resolvi que esse era o empurrãozinho que me faltava e decidi, enfim, encarar esta empreitada.

Quem me acompanha por aqui sabe o quanto a alimentação é um ponto bastante complicado para mim – lembram do abril sem alimentos ultraprocessados? -, então este vai ser um grande desafio. Mas ao mesmo tempo em que eu estou ciente das dificuldades, não posso mentir que também estou super animada para descobrir o que vou aprender com essa experiência!

Embora eu (ainda) não seja vegetariana e saiba muito pouco sobre o assunto, este é um posicionamento que eu admiro e que sempre despertou a minha curiosidade. Estou super disposta a mergulhar neste universo ao longo deste mês, e conto com as dicas de vocês! Quem sabe este seja o primeiro passo de uma grande jornada? Nunca se sabe!

Minha única regra para este agosto sem carne será, por óbvio, não consumir carnes de qualquer tipo. Laticínios e ovos estão liberados sim – aliás, tenho o palpite de que eles serão a minha grande salvação neste primeiro momento. Afinal, a ideia aqui é promover mudanças de maneira suave, sem radicalismos – o importante é a direção para a qual nós estamos indo, e não a velocidade!

Para acompanhar o meu dia a dia e as alternativas que eu vou buscar ao longo deste agosto sem carne, siga o Parece Óbvio no Instagram e não deixe de conferir os nossos stories! 😉 

#66 PÓ Viaja | Atacama | Valle de la Luna, o grande clássico do deserto

É mais Atacama que vocês querem? Então é mais Atacama que vocês vão ter! 🙂

Como prometido no último post da série #PÓviaja, hoje vou começar a dividir com vocês os detalhes de cada um dos passeios que nós fizemos no deserto mais alto e seco do mundo.

Se você quer saber o que vai conhecer em cada lugar, como se vestir, o que levar na mochila e até como funciona a questão do banheiro no meio do nada, estes posts são pra você!

Lembrando sempre que nós fizemos todos os passeios – exceto o Tour Astronômico, que contratamos com a Space – com a Araya Atacama. O que vocês encontram aqui, portanto, é o relato da experiência que nós tivemos com esta empresa em maio de 2018.

Chegando no Parece Óbvio agora? Leia aqui sobre como decidimos ir para o Chile, aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama, aqui sobre como escolhemos a agência e aqui as impressões gerais de cada um dos tours.

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Valle de la Luna visto do mirante onde fica a Pedra do Coyote

Comecemos pelo clássico dos clássicos do deserto: o passeio ao Valle de la Luna!

Localizado a aproximadamente 15km de distância do centrinho de San Pedro de Atacama, este tour de meio período costuma ser um dos mais indicados para quem está chegando no deserto, uma vez que a sua altitude é a mesma da cidade – 2.400 metros acima do nível do mar -, o que facilita a aclimatação.

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Difícil imaginar que um dia isso tudo foi água, né?

Detalhes práticos à parte, corta para uma aulinha de geografia: há mais de 100 milhões de anos (!!!) atrás, quando foi iniciada a formação natural da Cordilheira dos Andes e da Cordilheira Domeyko, a área compreendida entre as duas cadeias de montanhas tornou-se um imenso lago de águas salinas.

Com a passagem do tempo – e devido aos efeitos do sol, do vento, de terremotos e erupções vulcânicas mil -, este lago transformou-se no que hoje conhecemos como Cordilheira do Sal,  que é a formação geológica à qual pertence o Valle de la Luna.

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Entrada da caverna de sal:  era só o começo da aventura!

Explicação científica dada, vamos ao passeio! Vencido o trajeto entre San Pedro e a entrada do local – onde fizemos uma parada estratégica para pagar o valor das entradas e ir ao banheiro – , descemos da van e fizemos uma pequena trilha em meio a cânions e cavernas da Cordilheira do Sal.

Foram aproximadamente 30 minutos explorando as formações rochosas, compostas em sua maior parte por sal, gesso e argila – nosso guia até lambeu a parede para provar que era salgada!

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Tivemos de andar um pouco abaixados…

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…e também tivemos de escalar alguns paredões!

Esta é a única parte do passeio que requer certo preparo físico, uma vez que em alguns trechos você vai precisar andar abaixado  – haja joelhos! – e escalar algumas pedras. Não é nenhum esforço absurdo – não precisa ser atleta, tá? -, mas também não é tranquilíssimo não.

Prepare-se psicologicamente para fazer um pouco de exercício e vá em frente – a experiência e a vista compensam!

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Depois de passar pelas cavernas, encerramos a caminhada com este visual

Feita a trilha, pegamos a van novamente e andamos alguns minutos em meio ao Valle até as Três Marias, formação rochosa que recebeu este nome devido à semelhança do seu formato com o corpo de três mulheres.

Segundo contou nosso guia, hoje restam apenas duas das três esculturas graças a um turista espertinho que subiu em uma delas para fazer uma foto e acabou quebrando a sua ‘cabeça’. Haja paciência, viu!

A parada no lugar foi rápida: tiramos algumas foto e subimos novamente na van para ir até o Anfiteatro.

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Em frente às Três Marias, nós e o casal que foi nosso ‘colega de passeio’ do dia

No Anfiteatro – que é o nome dado a uma imensa montanha-símbolo do local -, desembarcamos da van e combinamos de encontrar o nosso guia em um ponto adiante dali a 30 minutos.

Esses momentos de ‘liberdade’ eram os nosso preferidos, pois podíamos caminhar, curtir o lugar e tirar todas as fotos que queríamos com calma, sem ninguém tentando nos apressar.

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Felizes com a liberdade para curtir o Anfiteatro

Aliás, se temos uma crítica construtiva a fazer a respeito dos passeios, é a questão do horário. Embora isso não tenha acontecido em todos os tours – depende muito do guia! -, mais de uma vez tivemos de apressar o passo para chegar a tempo no próximo ponto. Não era só começar mais cedo, então?

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Não podia faltar uma foto com a minha pose clássica das mãozinhas para cima! \o/

Caminhada feita, pegamos a van mais uma vez e fomos até o mirante do Valle de la Luna, onde fica a famosa Pedra do Coyote, cenário de boa parte das fotos incríveis que nós havíamos visto do deserto.

Em função do desgaste causado por hordas de turistas pisoteando, pulando e fazendo malabarismos para conseguir um registro digno de muitos likes, atualmente a pedra está interditada – ou seja, sem fotos pra nós.

Ali a parada foi rápida, mas rendeu algumas das fotos mais bacanas que fizemos no dia – a vista é realmente surreal. De lá, pegamos a van novamente até o nosso próximo destino: o mirante do Valle de la Muerte.

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Com uma paisagem dessas, qualquer foto fica incrível

Chegando no mirante do Valle de la Muerte, parada final do tour, nosso guia foi preparar o coquetel e nós ficamos livres para explorar e tirar fotos do local.

O sol já havia caído, mas a cor do céu…minha gente, o que era a cor daquele céu? As fotos não conseguem fazer jus ao que os nossos olhos enxergavam naquele momento: era um degradê em tons pastel que eu nunca havia visto igual. De ficar emocionado mesmo.

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A foto não entrega nem 1% do que os nossos olhos estavam vendo

Ali foi só alegria: enquanto a natureza dava o seu show, ficamos tirando várias fotos, curtindo o coquetel e agradecendo a cada segundo pela oportunidade de estar lá.

Quando o dia não era mais do que um fiozinho no horizonte, subimos na van e começamos o caminho de volta para San Pedro.

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Coquetel delícia oferecido pela Araya: sucos, vinhos, frutinhas e guloseimas!

Agora vamos às informações práticas sobre o tour ao Valle de la Luna:

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos pegou no hostel mais ou menos às 15h e estávamos de volta às 19h.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 30.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  4.000 cada um – neste post eu explico como fazer a conversão.

Como se vestir? Saia do hostel vestindo roupas leves e confortáveis para caminhada, mas leve um casaco para a hora do por do sol, quanto a temperatura esfria. Eu fui vestindo uma calça legging, uma camiseta de manga curta e uma camisa de manga comprida por cima; na mochila, levei minha jaqueta pena de ganso, que coloquei na hora do coquetel. Foi o suficiente.

O que levar na mochila? Além do kit básico do deserto – água, protetor solar e boné -, não se esqueça de levar um casaco mais quente na mochila para o final do dia. Caso você não queira ficar usando a luz do celular, uma lanterna para iluminar os trechos das cavernas também é uma boa ideia.

Quais as dicas que ninguém conta? Como eu já falei no início do post, este é um dos passeios mais recomendados para os primeiros dias do viajante no deserto em função da sua altitude, que chega ao máximo de 2.400 metros. O que não te contam – e que eu pelo menos não havia lido em nenhum lugar – é que aquela caminhada do início requer, sim, certo preparo físico e um calçado apropriado. Não é nada absurdo, mas é bom saber antes de chegar lá – principalmente se você tem problema nos joelhos. Prepare-se para ficar bastante empoeirado – e, se puder, use sapatos com solado antiderrapante.

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Quando o dia já havia se ido, era hora de voltar para o hostel!

E aí, o que acharam? Quem mais aí já foi ao Valle de la Luna e tem algo a acrescentar?

Alguém planejando a sua viagem para o Atacama? Espero que as informações sejam úteis para vocês!

Nos próximos posts, continuarei o relato detalhado de cada um dos passeios que fizemos no deserto. Não percam! 😉 

#65 Minimalismo no shopping: 5 dicas para fazer compras mais inteligentes

Uma das maiores dificuldades enfrentadas por quem decide aventurar-se no minimalismo é a questão do equilíbrio.

Afinal, como nós já conversamos sobre aqui no Parece Óbvio, tornar-se minimalista é uma experiência que tem muito mais a ver com a adoção de uma nova mentalidade do que com a obediência a um conjunto de regras fixas e imutáveis.

Na prática, a inexistência de um ‘código do minimalismo’ significa que a decisão sobre o que pode e o que não pode  neste estilo de vida é extremamente pessoal, na medida em que cabe a cada um definir o que é e o que não é ser minimalista.

E é justamente aí que entra o desafio do equilíbrio. A missão de encontrar o ponto em que é possível satisfazer nossas necessidades materiais sem deixar de lado o fato de que desejamos cultivar um estilo de vida cada vez menos focado nas coisas que podemos comprar é uma tarefa nem um pouco fácil – mas não impossível.

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Pessoalmente, eu acredito que a resposta para o que é – e também para o que não é – ser minimalista passa longe de formulações no estilo tudo ou nada. Para mim, não é a adoção ou o abandono de certos comportamentos que vai definir o grau de comprometimento de alguém com este estilo de vida.

Eu outras palavras, eu não acredito que para aderir ao minimalismo você nunca mais possa comprar. Ou que você nunca mais possa ter ou fazer coisa nenhuma. Na minha visão, você pode tudo – desde que este tudo venha acompanhado de equilíbrio e consciência.

Pensando nisso – e sabendo o quanto é difícil equilibrar esta balança -, resolvi compartilhar com vocês hoje alguns dos truques que tem me ajudado a comprar de maneira mais inteligente nos últimos tempos. Vamos começar? 🙂

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1) Saiba o que você tem

Uma compra inteligente começa muito antes da chegada ao shopping – na verdade, ela começa antes mesmo de sair de casa.

Você só vai conseguir consumir com consciência quando souber exatamente o que já tem – e que, portanto, não precisa levar comprar.

Se alguma vez você comprou uma brusinha e se surpreendeu com outra quase igual esquecida no fundo do guarda-roupas, ou então comprou os ingredientes para uma refeição e descobriu que já tinha boa parte deles na despensa, você sabe do que eu estou falando.

Acostume-se a manter uma lista atualizada do que você tem nos seus armários. Pode ser um pouco trabalhoso no início, mas você vai se agradecer depois.

2) Crie uma lista de desejos

A famosa wish list nem sempre é uma inimiga. Quando você a constrói baseado no que percebeu ao observar o que já tem, não há nada de errado com ela!

Manter uma lista do que você deseja pode funcionar como um filtro para separar compras realmente necessárias daquelas que podem ser deixadas de lado.

Aqui, o segredo é colocar os itens na lista e deixá-los lá por um tempo – os minimalists sugerem a aplicação de uma regra 30/30, que significa que se um item custa mais de 30 dólares, você deve esperar no mínimo 30 horas até comprá-lo (para itens de mais de 100 dólares, eles sugerem 30 dias).

Embora já tenha dado para perceber que eu não sou de me apegar a esse tipo de regrinhas, acredito que adotar uma lógica nestes moldes pode ser bastante útil.

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3) Seja fiel à sua lista

Parece óbvio (kkk), mas é importante lembrar: estando no shopping, no mercado ou onde quer que você tenha decidido fazer as suas compras, limite-se a levar para casa apenas o que já estava na sua lista.

Lembre-se de que esses ambientes são projetados para incentivar o consumo. Quando você entra em uma loja – ou até acessa um e-commerce –  sem ter em mente o que procura, é muito fácil ceder aos estímulos e cair na tentação de comprar o que não precisa.

Se você já se deu ao trabalho de conhecer o que tem e elaborou até uma lista do que falta, não vai colocar tudo por água abaixo justo agora, né?

Caso neste processo você acabe encontrando algo de que realmente gostaria – ou até precisa -, coloque-o na lista e espere mais um pouquinho.

4) Tenha paciência

Talvez o seu reflexo seja fugir o mais rápido possível das tentações e dessa função de compras, mas a verdade é que não dá pra ter pressa.

Se o seu objetivo é fazer compras mais inteligentes, você vai ter de se dispor a procurar até encontrar aquilo que se encaixa nos seus requisitos. Até pode ser que você dê sorte e resolva toda a sua lista já na primeira loja, mas não saia de casa com essa expectativa.

Não se jogue na primeira opção que surgir. Avalie com cuidado. Especialmente em se tratando de roupas, fique atento à relação custo x benefício – às vezes, o barato que se estraga em poucas lavagens pode acabar saindo caro.

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5) Saiba encerrar o ciclo

Fez um inventário do que tinha em casa, criou uma lista do que faltava, foi às compras e achou o que buscava? Então está tudo feito! Saiba colocar um ponto final no processo de compra – não continue procurando por outras opções quando você já as encontrou.

Se você seguiu todos os passos anteriores com consciência, você comprou de maneira inteligente. Não se culpe nem entre na nóia de inventar motivos para justificar a sua compra para os outros. Uma, porque você não deve satisfações para ninguém; e outra, porque não é isso que faz de você mais ou menos minimalista.

Você é um ser humano em busca de um estilo de vida novo e completamente diferente de tudo o que é incentivado pela nossa sociedade. Sentir-se inadequado e não compreendido é normal. Isso faz parte do processo. Saiba colocar um ponto final e siga a sua caminhada!


E aí, o que acharam? Construir uma relação mais saudável com as compras tem sido um desafio repleto de altos e baixos para mim – mas eu me sinto muito vitoriosa quando percebo que consegui colocar em prática estas dicas, mesmo que nem sempre seja possível.

E vocês, tem alguma outra dica para consumir de forma mais inteligente? Como lidam com essas questões? 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

#64 PÓ Viaja | Atacama | O que esperar de cada passeio

Prontos para mais uma dose de Atacama? 🙂

Como prometi no último post da série #PÓviaja, hoje vou começar a dividir com vocês as minhas considerações sobre a parte mais legal da viagem: os passeios no deserto!

Se você está chegando no Parece Óbvio agora, leia aqui sobre como decidimos ir para o Chile, aqui sobre a nossa ida a San Pedro de Atacama e aqui sobre como escolhemos a agência para fazer os tours.

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Eu não estava acreditando na beleza da Lagoa Tebinquinche (@pareceobvioblog)

Tão – ou até mais –  importante do que a escolha da agência, é a escolha dos passeios que vão preencher os seus dias no Atacama.

Se você tem a possibilidade, inclusive, eu sugiro que escolha os passeios antes de definir quantos dias vai ficar no deserto, evitando assim a dolorosa tarefa de ter de “cortar” algum tour por falta de tempo.

Foi exatamente assim que nós fizemos. Nós não tínhamos nem as passagens compradas, mas eu já havia lido tanto sobre o assunto que poderia ser considerada phd em passeios no Atacama!

Aliás, essa é uma dica que vale para qualquer destino: caso você tenha a flexibilidade de poder escolher as datas em que vai viajar, monte um pré-roteiro – pode ser uma listinha simples mesmo! – das atrações que você gostaria de conhecer naquele lugar. Assim fica muito mais fácil decidir quantos dias ficar no local!

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Parece montagem, mas é só a natureza dando um show na Laguna Piedra (@pareceobvioblog)

Por fim, mesmo depois de muito pesquisar e perceber que quatro ou cinco dias seriam o suficiente para fazer todos os passeios que nós queríamos – é isso o que a maior parte dos blogs de viagem indica para quem quer fazer o basicão do deserto -, decidimos reservar 7 dias para San Pedro de Atacama. Uma decisão que se mostrou acertadíssima e que nós só faríamos diferente se fosse para estender ainda mais!

Nossos escolhidos antes da viagem foram: Valle de la Luna (lógico!), Laguna Cejar, Lagunas Altiplanicas, Geyser el Tatio, Lagunas Escondidas, Salar de Tara e Tour Astronômico.

Chegando lá, como vocês já sabem, acabamos ficando tão apaixonados pelo lugar que encaixamos mais o Trekking de Guatín e as Termas de Puritama.

E como eu também contei no post sobre a escolha da agência, todos estes passeios – exceto o Tour Astronômico, que contratamos com a Space – foram feitos com a Araya Atacama. O que vocês encontram aqui, portanto, é o relato da experiência que nós tivemos com esta empresa em maio de 2018, e que pode – ou não – coincidir com o oferecido por outras agências em outras épocas.

Estamos combinados? Então vamos lá!

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Valle de la Luna: impossível não sair com cara de boba em todas as fotos! rs (@pareceobvioblog)

Vamos começar pelo clássico dos clássicos: Valle de la Luna e Valle de la Muerte!

O que você vê? Apenas as paisagens mais famosas do deserto do Atacama, tá bom pra vocês?

O passeio começa com uma pequena trilha na Cordilheira do Sal – são mais ou menos 30 minutos explorando cavernas e caminhando em meio às formações rochosas. De lá, subimos na van e fomos conhecer as Três Marias e o Anfiteatro, onde descemos do carro e pudemos caminhar livremente por mais meia hora.

Em seguida, pegamos a van mais uma vez e fomos até o mirante do Valle de la Luna, onde fica a famosa Pedra do Coyote – que infelizmente está interditada. Ali a parada foi rápida, apenas para tirar fotos e subir na van novamente até o nosso próximo destino: o mirante do Valle de la Muerte.

Chegando no Valle de la Muerte, nosso guia foi preparar o coquetel e ficamos livres para tirar fotos e admirar a beleza do local. O passeio terminou com bons drinks em frente a um por do sol daqueles que só o Atacama consegue ter!

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos pegou no hostel mais ou menos às 15h e estávamos de volta às 19h.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 30.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  4.000 cada um – neste post eu explico como fazer a conversão.

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Lua vista um dia antes da sua fase ‘cheia’ (@henrique.raw)

Tour Astronômico

O que você vê? Em função da sua geografia, o Atacama é reconhecido como um dos melhores lugares do planeta para observar o céu – e é justamente essa a proposta do tour, que fizemos com a agência Space.

O observatório fica bem próximo de San Pedro, distante entre 15 e 20 minutos de van – você sabe que está chegando quando o motorista desliga as luzes do veículo e as estrelas ficam ainda mais brilhantes.

O passeio começa com uma super aula sobre o céu: usando um laser pointer, a guia nos explicou como identificar as principais estrelas e constelações visíveis naquele dia. Dali fomos para a parte dos telescópios – eram nove no total -, onde ela fez os ajustes para que em cada um tivéssemos uma experiência diferente: pudemos observar nebulosas, os planetas Vênus e Saturno (surreal!) e até as crateras da lua bem de pertinho.

Para encerrar o tour, entramos em uma salinha onde era servida uma bebida quente – chocolate, mate de coca ou chá de camomila – e podíamos conversar e tirar dúvidas sobre o que havíamos visto.

Quanto tempo dura? Encontramos nosso grupo no local combinado às 19h50 – dez minutos antes do horário marcado -, e chegamos de volta no hostel mais ou menos às 22h30 (desculpem a imprecisão, mas foi mais ou menos isso! rs).

Quanto custa?  Pagamos CLP 25.000 por pessoa.

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A verdadeira tradução da expressão ‘de boa na lagoa’ (@pareceobvioblog)

Laguna Cejar e Laguna Tebinquinche

O que você vê? Para este passeio, acho que é mais apropriado perguntar o que você sente – afinal, ele é um daqueles onde você tem a oportunidade de experimentar a sensação única de não conseguir afundar.

A primeira parada é no parque onde ficam a Laguna Cejar e a Laguna Piedra – ambas lindíssimas e com alta concentração de sal, o que permite que você consiga boiar sem fazer o mínimo esforço. Nem todos do grupo quiseram entrar na água, então enquanto eu e os outros corajosos curtíamos as lagunas, os demais ficaram caminhando em volta tirando fotos.

Passado um tempinho na laguna, tomamos uma ducha para tirar o sal do corpo, vestimos nossas roupas e subimos na van para ir até os Ojos del Salar, onde fizemos uma curta parada para tirar fotos com o efeito de espelho d’água.

Dali, andamos de van mais um pouco até a Laguna Tebinquinche, onde o guia nos deixou livres para fazer uma caminhada enquanto ele arrumava o coquetel. Aproveitamos a oportunidade para fazer fotos e nos reunimos com o nosso grupo a tempo de curtir o por do sol.

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos pegou no hostel mais ou menos às 14h30 e estávamos de volta às 19h.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 30.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  17.000 cada um.

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Laguna Miscanti, certamente uma das mais incríveis do deserto (@pareceobvioblog)

Lagunas Altiplânicas

O que você vê? Todos os lugares são incríveis, mas este tour conseguiu se tornar um dos meus favoritos no deserto.

O passeio começa com um trajeto de 160km até a Laguna Tuyacto, primeira parada do dia. Lá ficamos livres para tirar fotos do local enquanto o guia preparava o nosso café da manhã.

Em seguida, subimos na van e iniciamos o trajeto no sentido de volta a San Pedro. Nossa segunda parada foi no Mirante de Águas Calientes, de onde é possível observar de longe as famosas Piedras Rojas – atualmente fechadas para visitação. Ali a passagem foi curta, apenas alguns minutos para apreciar a vista e tirar mais fotos.

De lá, mais um pouco de van até chegar ao parque onde ficam as grandes estrelas do passeio, as Lagunas Miscanti e Miñiques. Ficamos mais ou menos meia hora caminhando à beira de uma das lagoas e observando bem de pertinho as vicuñas.

Depois desta parada, fizemos só mais um pit stop para tirar aquelas fotos clássicas na estrada e dali fomos direto a um restaurante em San Pedro, onde era servido o almoço oferecido pela agência.

Quanto tempo dura? Este é um passeio que teoricamente dura o dia inteiro. Na prática, a van nos buscou no hostel às 7h30 e às 15h30 estávamos de volta – sendo que desde as 14h30 já estávamos em San Pedro almoçando.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 70.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  10.000 cada um.

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Parecem dois bonecões do posto, mas somos só nós visitando os geysers! rs (@pareceobvioblog)

Geyser El Tatio

O que você vê? Preparados para iniciar o dia abaixo de zero?

O passeio começa antes do sol nascer, com um trajeto de 90km até o campo geotérmico onde ficam os geysers. Chegando lá, fizemos uma curta caminhada com o nosso guia em meio aos jatos d’água, enquanto eles nos explicava um pouco mais sobre este fenômeno natural.

Ao final da trilha, o café da manhã nos esperava. Devidamente alimentados, fomos até a piscina termal dos geysers, outra daquelas oportunidades que só no Atacama você encontra: enquanto lá fora os termômetros marcavam 16 graus negativos, dentro da água a sensação podia ser de até 40 graus. De todo o grupo, só eu e Henrique entramos.

Saindo de lá,  subimos na van e fomos até a próxima parada, no vale do vulcão Putana, onde caminhamos não mais do que quinze minutos, só para aproveitar a paisagem mesmo. Dali, mais um pouquinho de van até o povoado Machuca, onde eram servidos os polêmicos espetinhos de lhama e também era possível tirar uma foto com uma – viva, lógico, e devidamente ornamentada. Essa foi nossa última parada.

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período, sempre realizado no horário da manhã – considerado o melhor momento para observar a atividade dos geysers. Saímos do hostel às 5h30 e estávamos de volta lá pelas 13h.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 45.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  10.000 cada um.

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Difícil não se sentir pequeno caminhando entre esses paredões… (@pareceobvioblog)

Trekking de Guatín + Termas de Puritama

O que você vê? O único tour que não estava previsto nos nossos planos foi um dos que nós mais gostamos – e agora fazemos questão de indicar pra todo mundo que está disposto a acrescentar um pouco mais de aventura à sua viagem.

O passeio começa com curto trajeto de van – 30km –  até o ponto de partida da trilha. Ali, deixamos o veículo e começamos o trekking de verdade: foram mais ou menos três horas de caminhada em meio à quebrada Guatín até chegarmos ao nosso destino final, as Termas de Puritama.

Este é um trekking considerado de nível fácil. A parte mais complicadinha foi a chegada e o trecho inicial, quando tivemos de caminhar descendo a quebrada. A partir dali, a maior parte do caminho foi plana ou sobre pedras, nada absurdamente difícil –  mas não extremamente fácil também.

A beleza do caminho e a oportunidade de estar tão próximos da natureza foram os dois pontos altos do passeio, que encerrou com a nossa chegada nas Termas de Puritama. Lá, pudemos aproveitar para tomar um banho nas piscinas quentinhas (delícia!) e recarregar as energias depois de toda a caminhada. Ao final, foi servido um coquetel/almoço.

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos pegou no hostel às 8h e às 13h já estávamos de volta – sendo que foram mais ou menos três horas de caminhada até as Termas.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 50.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  15.000 cada um.

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Lagunas Escondidas e a minha tradicional pose com as mãos pra cima! rs (@pareceobvioblog)

Lagunas Escondidas de Baltinache

O que você vê? Este é outro passeio onde você tem a oportunidade de experimentar a sensação única de não conseguir afundar – tal como a Laguna Cejar, as escondidas também possuem uma alta concentração de sal.

O tour começa com um trajeto de van até a entrada do parque onde ficam as Lagunas Escondidas, distantes 60km de San Pedro. Como fica para “outro lado” em comparação com as Lagunas Altiplanicas e os Geysers, a paisagem do caminho é bem diferente, em meio às cordilheiras do Sal e Domeyko.

Chegando lá, descemos da van e fomos guiados pela trilha onde ficam as sete lagunas escondidas. Além da beleza, que já nem era mais novidade pra quem estava há alguns dias  no Atacama, o lugar impressiona pelo silêncio.

Ao final do passeio, curtimos um coquetel/almoço à beira da última lagoa, onde é possível tomar banho e tirar aquelas fotos clássicas boiando sem fazer esforço algum.

Quanto tempo dura? Este é um passeio de meio período. A van nos pegou no hostel às 8h e às 13h já estávamos de volta.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 40.000 por pessoa. Além disso, também tivemos de pagar uma entrada de CLP  5.000 cada um.

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Laguna Diamante: mais um daqueles lugares tão lindos que não parecem reais (@pareceobvioblog)

Salar de Tara

O que você vê?  Eu sei que vai parecer exagero – afinal, nós gostamos de praticamente tudo no Atacama -, mas este também foi um dos nossos tours favoritos no deserto.

O passeio começa com uma pequena viagem – são 160km! – até a entrada do Salar de Tara. Lá, nossa primeira parada foi no Moai de Tara, uma formação rochosa imensa que se parece com um índio e rende várias fotos divertidas.

Dali, subimos na van mais um pouquinho até as Catedrais de Tara e a Laguna Diamante, as grandes estrelas do salar. Nosso guia nos deixou livres para caminhar enquanto ele arrumava o café da manhã – esses momentos de liberdade eram sempre os nossos preferidos!

Depois de tomar o café e curtir a paisagem, começamos o nosso caminho de volta. Ainda na região do salar, fizemos mais duas paradas: uma nos Monges de La Pacana e outra no Vale das Obsidianas – em ambas foram apenas alguns minutos para caminhar e apreciar o local.

Saindo do salar, pegamos a estrada rumo à San Pedro e fomos praticamente direto até a cidade, parando só uns minutinhos para tirar fotos em frente ao mirante do Vulcão Licancabur. Chegando no povoado, fomos para o restaurante onde a agência oferecia o almoço.

Quanto tempo dura? Este é um passeio que teoricamente dura o dia inteiro. Na prática, a van nos buscou no hostel às 7h30 e às 15h30 estávamos de volta – sendo que desde as 14h30 já estávamos em San Pedro almoçando.

Quanto custa? De acordo com o site da Araya, o valor do tour atualmente é de CLP 70.000 por pessoa.


E aí, gostaram? 🙂

Sei que o texto ficou longo, mas este foi o máximo que eu consegui resumir para dividir com vocês uma visão mais geralzona de todos os passeios que fizemos no Atacama.

Nos próximos posts da série #PÓviaja, vou compartilhar com vocês os detalhes de cada um desses passeios – se você quer saber o que levar na mochila, como se vestir e até como funciona a questão do banheiro no meio do nada, não pode perder essa sequência!

#63 O que aprendi ficando (mais) um mês sem looks repetidos | Desafio ‘2018, o ano do sem’

Eu nem vou tentar me justificar. Mais um mês chegou ao fim e eu não consegui produzir os posts do ‘ano do sem‘ como gostaria. E ao mesmo tempo em que isso me deixa um tanto quanto frustrada, eu também tenho tentado encarar a situação como uma oportunidade de ser mais paciente comigo mesma.

Porque se tem uma coisa que eu sei fazer bem, essa coisa é me cobrar. Meu monstrinho da autocobrança é muito eficiente: basta uma coisa não sair como o planejado para ele começar a trabalhar enlouquecidamente. Vocês não imaginam a batalha que é convencê-lo a parar.

E eu acho que só de contar isso já dá pra calcular o esforço mental que eu preciso fazer pra segurar esse monstrinho e encarar as coisas com mais leveza. É difícil, gente. Mesmo assim, eu tenho tentado – afinal, o Parece Óbvio tem de ser uma coisa boa na minha vida, e não mais uma fonte de frustração e ansiedade, né?

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photo by Unsplash

Reflexões à parte, vamos logo ao que interessa: o que aprendi ficando (mais) um mês sem looks repetidos? Como quem nos acompanha há mais tempo já sabe, o desafio de junho foi uma repetição daquele que eu havia proposto em maio – e que, por diversos motivos, não deu muito certo na primeira tentativa.

A minha ideia ao escolher ficar um mês sem repetir looks era retomar o controle sobre o meu armário e deixar claro, de uma vez por todas, que eu tenho mais do que o suficiente para me vestir bem – e que não, eu não preciso de mais.

Minha única regra era não repetir looks, isto é, combinações de roupas. Vestir a mesma peça mais de uma vez, compondo com outras de maneira diferente, estava liberado. Pra me ajudar a manter o controle – e também para dividir aqui com vocês -, adquiri o hábito de me fotografar todos os dias antes de sair de casa para o trabalho.

O resultado deste junho sem looks repetidos – e as reflexões que ele me proporcionou –  vocês leem a partir de agora.

(Spoiler alert: a única coisa que se repete todos os dias é a cara de sono! kkk)

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Comecei o desafio fazendo o esforço de usar peças que nunca eram primeira opção na hora de me vestir – no caso, o colete preto de pelos, o trench coat bege e as duas camisas, uma preta e uma azul.

A ideia foi boa por dois motivos: primeiro, pois serviu para eu me lembrar de como tinha opções bacanas que geralmente eram esquecidas; e segundo, para me convencer de que algumas coisas não eram lembradas porque eu simplesmente não gostava delas.

Foi assim com a camisa da estampa azul que eu vesti no quarto dia. Eu vivia ponderando se devia ou não tirá-la do meu armário, mas sempre ficava na dúvida e acabava deixando ela por lá – e quando eu digo por lá, era por lá mesmo, dentro de casa, já que sair com ela na rua nunca rolava.

E bastou vestir a bendita para acabar com as dúvidas e ter certeza de que era a hora da nossa despedida. Olhar a foto foi o empurrãozinho que faltava para ela ir morar em outro armário, onde certamente vai ser muito mais bem aproveitada do que quando morava no meu.

E não foi só com essa camisa que isso aconteceu. Ao longo do mês, eu pude perceber que diversas roupas estavam no meu armário por uma dúvida que nada mais era do que falta de coragem de assumir – para mim e para o mundo –  que algumas coisas simplesmente não rolavam mais.

As peças podem ser lindas e estar em ótimas condições – mas se eu não me sinto bem ou representada vestindo elas, é hora de deixar ir.

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Além de tirar as fotos antes de sair de casa, outra coisa que me ajudou muito durante o desafio foi ter criado o hábito de escolher o look na noite anterior. Essa era uma daquelas coisas que eu super subestimava e até achava meio boba – mas que me impressionou depois que eu comecei a colocar em prática.

Aqui, a grande questão envolvida é a energia mental que eu colocava – e que todos nós colocamos – no processo de escolha. Não é papo: escolher, de fato, cansa.

E mesmo que eu já tenha passado por vários destralhes e que não restem tantas opções diferentes no meu armário, é incrível o quanto o simples fato de ter de escolher um look antes de sair de casa demanda a minha energia, por  mais insignificante que isso pareça.

Transferir este ritual para outro horário – no caso, a noite anterior – não só permitiu que eu escolhesse com mais cuidado como também tornou o meu dia mais leve. Isso sem mencionar o tempo que eu deixei de perder ficando catatônica diante do armário todas as manhãs.

Tendo pensando no meu look na véspera, era só acordar, tomar banho e vestir as roupas – rápido assim, sem nem precisar pensarSe eu soubesse que uma coisa tão simples faria tanta diferença na minha rotina, eu certamente teria começado antes.

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E foi me dando esse tempo para fazer as escolhas com mais consciência que eu cheguei a outro grande aprendizado deste junho sem looks repetidos, que foi o quanto eu não preciso de tantas opções. Mesmo. A quantidade realmente não faz mais diferença pra mim.

Eu já imaginava, e o desafio só veio confirmar as minhas suspeitas: eu sou muito previsível na hora de me vestir. Mesmo tendo um estoque considerável de alternativas – e podendo escolher com calma entre elas na noite anterior -, eu dificilmente saía do roteiro calça-bota-casaco.

Pode até ser que o fator climático tenha me atrapalhado um pouco, afinal, o inverno gaúcho não nos permite fugir muito do óbvio – a não ser que nós estejamos dispostos a passar um pouco de frio, é claro -, mas o fato é que mesmo em outras épocas do ano, eu tenho os meus favoritos.

Aqueles looks que a gente gosta de vestir e que são sempre a nossa primeira opção, sabem? Eu também tenho os meus. É com eles que eu me sinto bem, bonita e confortável. Por que, então, abarrotar o armário com algo diferente disso? Qual o sentido em gastar tempo, dinheiro e energia com coisas que eu preciso me forçar a usar, que nunca são escolhidas ao natural?

Outra curiosidade que eu acabei descobrindo, além dessa questão dos looks, foram as cores. Preto, cinza, vermelho e azul são sempre as minhas escolhidas. Eu até tenho peças que fogem dessa paleta, mas é incrível o quanto elas nunca são a primeira opção. Quantas coisas nós podemos descobrir apenas olhando para nós mesmos, hein? 

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Chegando ao final do desafio, entre a terceira e a quarta semanas, percebi que minhas blusas de inverno estavam bastante gastas e que aquilo me incomodava. Elas não estavam totalmente velhas, mas eu já não me sentia confortável em usá-las no trabalho. Então, decidi comprar outras.

E o interessante de ir às compras justamente depois de ter passado quase um mês fotografando tudo o que eu vestia, foi que eu estava muito mais consciente do que eu precisava buscar. Eu sabia exatamente qual era o modelo – e até a cor! – do que eu queria, e isso permitiu que eu comprasse de uma maneira muito mais inteligente.

Mesmo assim, preciso confessar que não consegui evitar uma certa culpinha. Mesmo sabendo que eu estava fazendo uma compra consciente, de algo que eu precisava e que eu realmente ia usar, me senti sim um pouco mal por estar trazendo mais coisas para a minha vida. E tudo bem, algumas sensações nós não podemos evitar – o importante é entender o que podemos aprender com elas.

E o que aprendi com esse episódio foi o quanto me ver em uma situação de compra me remete à época em que eu fazia isso sem consciência. E o quanto lembrar disso ainda é confuso e tende a me causar mal estar. É como se eu estivesse novamente tendo comportamentos que hoje eu reconheço como destrutivos – mesmo que o contexto atual seja totalmente diferente. Boa ou ruim, essa é uma reflexão que no mínimo serve como aprendizado.

ENFIM. A verdade é que foi só um mês, mas foram muitas as lições. Viver este desafio do junho sem looks repetidos, por mais boba e fútil que pareça a ideia, foi uma experiência que me ensinou muito. Eu esperava me convencer de que eu tinha mais do que o suficiente – e de fato me convenci -, mas acabei descobrindo que não eram só roupas que se acumulavam no meu armário. Era também o medo de deixar ir, a preguiça de não escolher com cuidado e tudo o que eu priorizava sem nem me dar conta.

Objetivos mais do que atingidos: superados!

Agora eu quero saber de vocês: quem mais encarou este desafio junto comigo? Alguém precisando de um empurrãozinho para fazer o mesmo?